BCE não deve "reagir de forma exagerada" à guerra no Irão, apela Schnabel
O Banco Central Europeu (BCE) não deve apressar uma resposta à guerra no Irão e deve ter cuidado para não "reagir de forma exagerada". O aviso foi deixado esta sexta-feira por Isabel Schnabel, membro do conselho da autoridade monetária, vista como um dos elementos mais "hawkish" da instituição, numa intervenção em Zurique. Apesar de apelar a alguma precaução na resposta ao conflito, a economista alemã relembrou que a Europa está a braços com um "forte aumento dos preços da energia", que deve deixar os membros do BCE vigilantes e que levou a um aumento "acentuado" nas expectativas dos investidores quanto à evolução da inflação no continente.
"Temos de ser ágeis, temos de estar atentos, mas não há necessidade de agir precipitadamente", afirmou Schnabel, uma semana depois de a autoridade monetária da Zona Euro ter deixado as taxas de juro inalteradas, apesar de reconhecer que as perspetivas estão "consideravelmente mais incertas" e ter revisto em alta a inflação e em baixa o crescimento económico.
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A economista alemã considera que o BCE e os membros do conselho têm "tempo para examinar os dados e analisar o que está realmente a acontecer, se há indícios de efeitos de segunda ordem, qual é a solidez do ambiente de procura e qual a probabilidade deste choque inflacionário se estar a consolidar nas expectativas de inflação e também no crescimento salarial". "Se houver um impacto mais persistente na inflação, a política monetária terá de agir, e agirá de forma decisiva, tal como fizemos da última vez", conclui, referindo-se à crise energética vivida na Europa na sequência da invasão da Ucrânia.
A estimativa para a inflação da Zona Euro deste ano passou para 2,6%, mais 0,7 pontos percentuais do que o esperado em dezembro. Depois da subida abrupta, os economistas de Frankfurt apontam para um regresso à meta de 2% em 2027 e uma ligeira subida para os 2,1% em 2028. A economia da Zona Euro deverá crescer menos do que o antecipado, ficando em 0,9% este ano.
Face aos desenvolvimentos na guerra do Irão, o mercado já incorporou três subidas de 25 pontos base nas taxas de juro, com uma probabilidade superior a 50% do próximo aperto monetário chegar já em abril. Antes do estalar do conflito, os investidores consideravam apenas uma pequena probabilidade de o BCE ter de voltar a mexer nos juros diretores, após um ciclo de alívio iniciado em 2024.
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A mensagem de Schnabel é consonante com a que Christine Lagarde, presidente da autoridade monetária, deixou a meio da semana. A francesa garantiu que o BCE não se vai precipitar na resposta à guerra no Irão, mas também não vai ficar “paralisado” pela incerteza. “Temos uma estratégia concebida para um mundo de maior incerteza, com riscos e cenários no seu cerne. Temos um conjunto gradual de opções para responder a esta situação. E estamos numa posição mais favorável caso precisemos de agir”, afirmou numa conferência em Frankfurt.
No entanto, existem membros do conselho do BCE que não estão tão certos que uma resposta à crise energética e, potencialmente, inflacionista pode esperar. O presidente do banco central da Alemanha, o Bundesbank, já avisou que a autoridade monetária vai ter em consideração uma subida nas taxas de juro já na próxima reunião, que se realiza em abril.
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