Fed teme impacto da disputa comercial promovida pelos EUA

Nas actas referentes à reunião dos dias 12 e 13 de Junho, a Reserva Federal dos Estados Unidos alerta para os "riscos associados com a política comercial" da maior economia mundial. Fed alerta ainda para os efeitos perniciosos de uma subida excessiva da taxa de inflação.
Bloomberg
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David Santiago 05 de julho de 2018 às 19:48

A Reserva Federal dos Estados Unidos divulgou esta sexta-feira, 5 de Julho, as actas relativas à reunião do banco central realizada nos dias 12 e 13 de Junho nas quais sinaliza apreensão quanto aos "efeitos negativos" da disputa comercial em curso entre Washington e os principais blocos económicos mundiais, designadamente a China e a União Europeia.

 

A instituição liderada por Jerome Powell nota que "a incerteza e riscos associados à política comercial intensificaram-se", o que leva a autoridade monetária a admitir que "tal incerteza e riscos poderão eventualmente ter efeitos negativos na confiança dos empresários e no investimento".

 

A Fed sustenta ter detectado uma preocupação crescente da parte dos agentes económicos quanto às consequência de uma guerra comercial de largo espectro, isto numa altura em que é grande a tensão entre as principais economias mundiais. Esta sexta-feira entram em vigor a nova taxa alfandegária imposta pelos EUA a um conjunto de bens importados da China no valor de 34 mil milhões de dólares. Por sua vez, Pequim já garantiu que responderá proporcionalmente.

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Ainda assim, apesar desses riscos "a economia vai de vento em popa", segundo revelou Powell no mês passado aquando da confirmação da segunda subida da taxa de juro directora dos Estados Unidos decidida em 2018. Uma ideia reiterada nas actas agora conhecidas.

 

No final da última reunião, a Fed elevou a taxa directora para um intervalo situado entre 1,75% e 2%, anunciando ainda que em vez das três anteriormente previstas, o banco central estima decretar quatro aumentos dos juros ao longo do ano corrente. Foi a sétima subida dos custos do dinheiro na maior economia mundial desde Dezembro de 2015.

 

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Outro risco sinalizado pela Fed passa por um aumento excessivo dos custos no consumidor. O banco central considera que se a economia continuar a evoluir de forma demasiado robusta poderá causar problemas no longo prazo, concretamente devido a uma eventual pressão inflacionária ou desequilíbrios financeiros que poderiam provocar uma recessão.  

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