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António Miguel Ferreira: “A cibersegurança é um investimento”

“O investimento em cibersegurança veio para ficar, vai crescer porque está a acompanhar a maior digitalização da economia e também o crime se transfere para o digital”, afirmou António Miguel Ferreira.

Filipe S. Fernandes 06 de Novembro de 2020 às 12:15
António Miguel Ferreira, managing director da Claranet Portugal
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"No início da pandemia houve semanas em que se registaram 200 mil ataques a cidadãos e a empresas portuguesas", revelou Nuno Cordeiro, partner da Deloitte, "porque nessa fase houve uma transição digital acelerada e muitas das pessoas não estavam preparadas nem conheciam os riscos associados à utilização de ferramentas digitais, por isso partilharam as credenciais e facilitaram a vida aos atacantes".

A fraude acontece em dois grandes momentos: no primeiro, há o roubo de uma identidade ou de credenciais e no segundo momento acontece o crime, a fraude. Como diz Mariana Jordão, vice-presidente de operações da Feedzai, "às vezes imaginamos que as entidades que cometem estes crimes são um fraudster numa garagem, um jovem hacker a tentar roubar qualquer coisa. Infelizmente são entidades organizadas com muitos recursos, com inteligência artificial incluída".

Cada vez que o peso do comércio eletrónico cresce, aumenta o custo fraude. Ricardo Chaves
COO da SIBS 
António Miguel Ferreira, managing director da Claranet Portugal, considera a cibersegurança como um investimento, "não é um custo que pesa nos orçamentos anuais das organizações bancárias, mas é muito relevante porque qualquer problema que possa ocorre terá um custo infinitamente superior". Reforça que "o investimento em cibersegurança veio para ficar, vai crescer porque está a acompanhar a maior digitalização da economia e também o crime se transfere para o digital".

Quatro biliões

Ricardo Chaves, COO da SIBS, mostrou o lado prático da importância do combate à fraude digital. "A fraude em ambiente de pagamento físico na Europa custa 1 a 2 pontos base de custo de fraude. Nos pagamentos de comércio eletrónico, custa entre os 25 e os 40 pontos base, conforme os mercados. Cada vez que o peso do comércio eletrónico cresce no total das transações aumenta 1% o custo da fraude", afirmou Ricardo Chaves.

Só a pandemia fez com que o peso das transações de comércio eletrónico aumentasse de 9 para 15% e depois estabilizaram nos 12%. Há um crescimento significativo e que traz o desafio adicional de os pagamentos serem em ambiente de comércio eletrónico onde o custo da fraude é maior.

A SIBS têm 4 biliões de transações, anos e picos com 300 operações por segundo e tem de responder ao processador em menos 20 milissegundos de resposta. Estas questões e o facto de a fraude se ter industrializado, com recurso inclusive a inteligência artificial, levou a empresa a montar um outro tipo de resposta como uma plataforma multicanal preparada para lidar com o número de transações, uma infraestrutura de Big Data, uma fábrica de machine learning.

"O impacto da inteligência artificial permitiu aumentar o bloqueio automático em 12 vezes, aumentou assertividade dos alertas em 40% e em cinco meses diminuiu a fraude em 35%. A equipa de 40 pessoas de 7/24h recebe melhores alertas. Um recente relatório explicava que Portugal tem um 1/5 da fraude, ou seja, menos 80% da fraude média na Europa", revelou Ricardo Chaves.
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