“Hoje tudo é inteligência artificial. Há um entusiasmo excessivo em algumas áreas e há valor genuíno noutras. Há uns anos falava-se de automação e de modelos preditivos, mas com uma apresentação diferente”, referiu Nuno Sousa, Financial Services & Insurance Director da Claranet Portugal, ao abordar a possível existência de uma bolha na inteligência artificial (IA). As declarações foram feitas no debate “A nova banca, a era digital e gestão de património”, integrado no 8.º Grande Encontro Banca do Futuro, uma iniciativa do Negócios que conta com a Claranet Portugal como main sponsor, a DS Automobiles como official sponsor, a Aon como insurance broker partner e a Cuatrecasas como legal partner.
Sobre aplicações concretas, partilhou exemplos da Claranet. “Adaptámos um pequeno programa de IA para nos ajudar a prevenir um conjunto de ataques e a caracterizar incidentes. Hoje conseguimos olhar para os nossos números e 60% dos falsos positivos já são analisados pela própria inteligência artificial. Isso permite ganhar tempo para olhar para os incidentes reais”, afirmou Nuno Sousa.
Manuel Requicha Ferreira, sócio-coordenador de Bancário & Financeiro da Cuatrecasas, considerou que, no que diz respeito à tokenização em Portugal, “ainda estamos numa fase muito inicial”, uma vez que “o regulamento de Mercados de Criptoativos (MiCA) foi aprovado no ano passado e está agora em curso a transposição de algumas das normas para o ordenamento jurídico português”.
Na sua opinião, as perspetivas são positivas. “A expectativa é que a globalidade dos portefólios em 2027 seja composta por ativos digitais, o que é muito significativo. Muitos querem começar por tókens associados a obrigações e ações, mas alguns já começam a pensar nos chamados tókens alternativos, relacionados com ativos imobiliários”, referiu Manuel Requicha Ferreira. O advogado salientou que “as novas gerações querem muito este tipo de ativos. Os bancos não vão poder fechar os olhos a estes clientes, sob pena de os perderem para outro tipo de plataformas”.
Talento é o fator decisivo
Helena Minhava, Chief Com-mercial Officer da Aon Portugal, destacou a complexidade da atração de talento para o sistema financeiro. “Não há um perfil, mas sim a necessidade de constituir equipas multidisciplinares. São relevantes perfis tecnológicos, de data analytics, inteligência artificial, perfis para o regulatório e compliance, e depois pessoas com bom conhecimento técnico do negócio e do cliente, com competências digitais. Para competir hoje na atração de talento é necessário mais do que um salário. Os jovens procuram modelos com propósito e a possibilidade de participar em projetos inovadores. Existe procura por trabalhos diferenciados, trabalho remoto e híbrido, que acabam por ser fatores diferenciadores”.
Na opinião da responsável da Aon, a banca do futuro tem de convergir fatores muito relevantes como a tecnologia, as pessoas e o regulatório.