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O fascínio da Bontaz por Viana do Castelo

A presença industrial do grupo francês passa por duas empresas,a Serratec, na maquinação de precisão, e a Bontaz, centro de I&D.

Filipe S. Fernandes 09 de Agosto de 2021 às 12:33
Daniela Fernandes está na empresa desde o início do projeto em Portugal. Ricardo JR
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Em 2016, Yves Bontaz (1938-2018), fundador do grupo, viajou entre Aveiro e o Porto em busca de uma localização para mais um novo espaço industrial. Já no Porto, o filho, Christophe Bontaz, desafiou-o a deslocar-se a Viana do Castelo. Um pouco contrariado foi aquela cidade. O presidente da Câmara Municipal, José Maria Costa, levou-o ao Monte de Santa Luzia e a decisão foi tomada: a Bontaz instalar-se-ia em Viana do Castelo.

A Bontaz é uma multinacional francesa que está no mercado desde 1970, desenvolvendo e produzindo componentes para a indústria automóvel e sistemas hidráulicos. Tem 4 mil empregados, 10 fábricas - em França, Estados Unidos, Marrocos, Brasil, Tunísia, República Checa, Coreia do Sul, Japão, China e Índia - e 4 centros de desenvolvimento, um dos quais em Portugal, no parque industrial Lanheses. A pandemia de covid-19 teve um impacto na progressão do volume de negócios da Bontaz e o objetivo de 600 milhões de dólares de receitas passou para 2021.

A primeira fábrica com a Serratec

Criada em 2017, a Serratec funcionou inicialmente num espaço de 2.000 metros quadrados mas, desde 2019, está localizada na Zona Industrial de Neiva, em 11 mil metros quadrados, sete mil dos quais fabris, com 58 máquinas e cerca de 90 colaboradores.

"No Grupo Bontaz temos unidades de maquinação de precisão de grandes séries e de peças de pequenas e médias dimensões para os sistemas hidráulicos da indústria automóvel tanto ligeiros como pesados", diz Daniela Fernandes, diretora de recursos humanos que faz parte da direção da empresa.

A Serratec exporta a totalidade da produção para as unidades de montagem do grupo Bontaz na China, Marrocos, Tunísia, República Checa, França, Índia e Brasil e produz mais de 50 referências. Em 2020, a produção atingiu os 59 milhões de peças.

Face aos resultados obtidos, a Serratec tem um projeto de crescimento e ampliação, com um terreno já adquirido de mais 10 mil metros quadrados. Daniela Fernandes adiantou ainda que estão abertos a parcerias e a outros setores para além da indústria automóvel.

Depois de uma auditoria externa feita ao grupo, a Serratec foi considerada uma das unidades com maior grau de maturidade e de vontade de mudança. "Fomos identificados a nível mundial para sermos unidade piloto no que toca à modernização dos processos de mecânica de precisão na ótica da indústria 4.0. e que tem a ver com a automatização de todos os nossos processos de produção, das máquinas, das práticas. A Serratec irá iniciar a implementação em setembro de 2021, depois de um ano de acompanhamento e de organização e de planeamento", referiu Daniela Fernandes.

De fábrica a centro de I&D

A ideia inicial da Bontaz era montar mais uma unidade de produção em Viana do Castelo por causa da qualificação das pessoas e da localização. Quando se iniciou o projeto em Portugal, o centro de desenvolvimento em França tinha cerca de 70 projetos e já não conseguia dar resposta. Daí que se tenha decidido avançar com a criação de um novo centro de desenvolvimento em terras lusas. Tem atualmente 80 pessoas e faz-se desenvolvimento "puro e duro", desde a conceção até ao design, desde "colocar a ideia no papel à produção de pré-series ou minisséries tudo é feito em Portugal", conta Inês Pereira, responsável de recursos humanos da Bontaz. Este centro em Portugal será, em 2026, uma réplica do centro de desenvolvimento francês, em termos de dimensão, já que contará com cerca de 200 pessoas, referiu Inês Pereira.

Inês Pereira é diretora de recursos humanos da Bontaz

"Sabemos todos para onde é que vamos e quais são os próximos produtos que vão ser pensados, produzidos e vão andar em circulação, por isso a Bontaz desenvolveu uma estratégia para os próximos dez anos", disse Inês Pereira.

Tal como outras empresas de componentes de automóveis, também a Bontaz tem feito a transição dos sistemas mecânicos para os elétricos e os eletrónicos dos automóveis tanto dos híbridos como dos elétricos. Mas está em entrar em outro tipo de mercados. Produz 190 milhões de componentes por ano.