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Notícia

A inovação no tomate para o Japão e a organização na pera-rocha para a Alemanha

A necessidade de unificar a imagem de marca de Portugal no exterior, sobretudo nos eventos internacionais, é uma necessidade sentida pelo setor agroalimentar. Seria uma forma de aproveitar as sinergias entre todos os setores como fazem França, Itália ou Estados Unidos.

Filipe S. Fernandes 24 de Novembro de 2020 às 15:15
Carlos Brito (Universidade Portucalense), Martin Stilwell (Italagro), Deolinda Silva (Portugal Foods) e Gonçalo Andrade (Portugal Fresh).
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"O trabalho que fazemos para vender, há 40 anos, no Japão, onde somos a maior empresa exportadora portuguesa, é um exemplo de diferenciação e de inovação, e da aposta na qualidade dos produtos", afirmou Martin Stilwell, presidente da Italagro.

A população nipónica tem uma grande preocupação com a saúde, e está disponível para comprar produtos saudáveis. No Japão existe há muito tempo uma tendência, que hoje é forte na Europa, da redução de sal na alimentação, e utilizam tomate nos cozinhados, este contém glutamina, que é um intensificador do sabor", disse Martin Stilwell.

Para este mercado, a Italagro cultiva e transforma variedades com alto teor em glutamina e variedades de tomate encarnado com um pigmento, o licopeno, que é um carotenoide que tem efeitos de antioxidante e anti-inflamatório, e é vendido como sumo de tomate com alto teor de licopeno.

São alguns exemplos em que a tecnologia contribui para a diferenciação, Gonçalo Andrade, CEO e presidente da Portugal Fresh, mostra um exemplo de cooperação empresarial. A pera-rocha é um dos quatro produtos que mais se exportam, além dos pequenos frutos, o tomate transformado, a laranja.

"Conseguiu-se fazer uma parceria com 15 organizações de produtores para exportar desde 2015 pera-rocha para a Alemanha, para o Lidl, que tem 3.500 lojas na Alemanha, está presente em 27 países com 10 mil lojas e para ter dimensão e escala de oferta para um cliente deste tipo temos de ter cooperação".

Frutos e legumes

Mas, a opinião de Gonçalo Andrade, o setor da fruta e dos legumes ainda há pouca organização, e apenas 25% da faturação da fruta e dos legumes passa por organizações de produtores enquanto a média europeia é de 46% e em países como a Bélgica ultrapassa os 90%. "A nossa maior organização de produtores do setor fatura cerca de 70 milhões de euros, a maior organização de produtores da Bélgica, um país mais pequeno que Portugal, fatura 420 milhões de euros", concluiu.

Para a Portugal Foods é essencial dar um suporte às empresas para orientarem o desenvolvimento de produto para a procura e os consumidores, e seguindo as tendências globais. Como assinala Deolinda Silva, diretora executiva da Portugal Foods, é a face mais intensa mas "menos visível porque as ações de promoção são o que chamam mais a atenção.

A estratégia passa pelas estratégias colaborativas. "A colaboração e a cooperação são fundamentais por várias razões. Permite acelerar a inovação, saltar muitas etapas e garantir que o risco associado à inovação seja menor porque está-se a responder com soluções a problemas existentes com vários parceiros que podem ser empresas, como entidades do sistema técnico-científico que podem aportar muito saber e conhecimento para as empresas agroalimentar", defendeu Deolinda Silva.

Imagem de marca

A Portugal Foods participou na criação do laboratório colaborativo para a indústria alimentar, Colab4Food, numa estratégia de criação de entidades que possam fazer a complementaridade com os clusters e as questões de transferência de tecnologia e com impacto efetivo na economia e daí a importância de as empresas estarem representadas nestas entidades.

A inovação, a manutenção da qualidade, a eficiência em processos, as estratégias colaborativas, a digitalização, a indústria 4.0, a economia circular e a visão em termos de sustentabilidade são importantes não só a rentabilidade para as empresas como para a participação "no grande processo de reindustrialização da Europa que está em marcha e que Portugal não pode perder e as nossas empresas têm de fazer este esforço", concluiu Deolinda Silva.

Um aspeto sublinhado no webinar foi a necessidade de unificar a imagem de marca de Portugal. "Os pavilhões de França, Itália ou Estados Unidos têm uma imagem para todos os setores. Por isso, temos de uma vez por todas criar uma imagem que seja única para promover Portugal. Temos de aproveitar as sinergias entre os vários setores para uma imagem seja condizente com as diferenciações que existem no país", salientou Gonçalo Andrade.

Os desafios da exportação agroalimentar O webinar "Novos Desafios da Exportação no Agroalimentar" realizou-se a 26 de outubro no âmbito do 9.º do Prémio Nacional da Agricultura 2020, que é promovido pelo Correio da Manhã, Jornal de Negócios e o BPI, que conta com o patrocínio do Ministério da Agricultura e o apoio da PwC. A abertura foi feita por Pedro Barreto, administrador do BPI, seguiu-se o debate com Deolinda Silva, diretora executiva da Portugal Foods, Gonçalo Andrade, CEO e presidente da Portugal Fresh, e Martin Stilwell, presidente da Italagro, e contou com a moderação de Carlos Brito, vice-reitor da Universidade Portucalense.