A marca Portugal tem valor acrescentado

Portugal não vai ter produtos em massa. "Temos de produzir produtos com qualidade e procurar os nichos de mercado que mais os valorizem", acentua Domingos dos Santos, da Frutoeste.
A marca Portugal tem valor acrescentado
Francisco Fragoso, gestor de negócios nas Luís Vicente, refere que hoje se exporta um conjunto variado de frutas
David Cabral Santos
Filipe S. Fernandes 06 de junho de 2018 às 11:27
"A marca Portugal hoje é uma marca com valor acrescentado, por todas as iniciativas que vão acontecendo como a Eurovisão, as vitórias no desporto, o prestígio do calçado e do têxtil. Qualquer consumidor hoje ao comprar um produto de marca Portugal, se não ficar decepcionado, compra outros produtos da mesma proveniência", disse Domingos dos Santos, presidente da Frutoeste, da Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha e da Federação Nacional das Organizações de produtores de Frutas e Hortícolas (FNOP). A Frutoeste foi criada em 1977 com 19 associados, mas só em 1988 iniciou a sua actividade com a construção da central fruteira. Hoje tem cerca de 160 associados e a central fruteira o triplo da área.

Portugal não vai ter produtos em massa, até pelas limitações geográficas de dimensão e heterogeneidade, a que se acrescentam as alterações climáticas, as mudanças dos hábitos e das preferências dos consumidores. "Temos de produzir produtos com qualidade e procurar os nichos de mercado que mais os valorizem", acentuou Domingos dos Santos.

Dá o exemplo da pera-rocha, que tem consolidado a sua posição em mercados tradicionais e a conquistado novos mercados exigentes, e que a valorizam. "E é nestes mercados que temos de fazer as nossas apostas na pera-rocha, na maçã, nos citrinos, nos hortícolas", referiu. Acrescentou que, no caso, do tomate fresco, que tem uma qualidade acima da média, que atrai muitos clientes, e do tomate indústria, que a produção transformou num produto de excelência, "peca, ainda, por uma falta de comunicação positiva do produto".

Promoção pelo preço

Para este empresário agrícola, "comunicamos bem os nossos produtos aos clientes, operadores, cadeias de distribuição, mas comunicamos mal para o consumidor final". Sublinhou que "se estabelecemos o contacto, numa feira, com um cliente numa feira que está interessado em vender a pera-rocha, deveríamos dar-lhe os instrumentos de comunicação para estimular o consumo das nossa frutas junto dos seus consumidores finais".

"A promoção dos nossos produtos é feita pela grande distribuição e é sempre pelo preço", disse Domingos dos Santos. Por isso, "a exportação tem de ser uma alternativa à distribuição, para sair deste colete de forças, mesmo quando produzimos menos do que se consome em Portugal".

Referiu que em Portugal, as 6 ou 7 cadeias de distribuição têm 67% do mercado de frescos, "e, por muito que a produção se organize, nunca vamos conseguir estar em pé de igualdade perante o poder económico da distribuição". Esta foi essencial no início, obrigou os produtores e as organizações a adaptarem-se ao novo paradigma de mercado, acabou por dar formação, mas tem sido um factor limitador da rentabilidade.





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