A revolução digital é uma oportunidade para a Madeira

É possível desenvolver um importante conjunto de atividades empresariais em serviços de elevado valor acrescentado em qualquer parte do globo, desde que exista uma boa rede de infraestrutura de comunicações.
A revolução digital é uma oportunidade para a Madeira
Miguel Carvalho, administrador do banco Santander
DR
Filipe S. Fernandes 26 de junho de 2019 às 13:00
"O desafio da Madeira passará também por reforçar o posicionamento estratégico da Madeira nas ligações com África e com a América do Sul, enquanto instrumento de fomento do tecido económico e de minoração dos custos de insularidade", refere Miguel Carvalho, administrador do Banco Santander. O gestor licenciou-se em Gestão pela Universidade Lusíada, e fez pós graduações no ISEG, Kellogg School of Management e IESE Business School e ocupa funções de direção no Banco Santander desde 2005.

Quais são os setores estratégicos da Madeira e quais os principais desafios?
O principal setor na região autónoma da Madeira é o turismo, com um contributo para criação de riqueza (Valor Acrescentado Bruto) superior a 15%, e para o emprego de quase 13%. Historicamente tem sido um importante dinamizador da região, e tem conseguido adaptar-se às alterações de procura, quer em termos de novos mercados de origem, quer em termos geracionais. O mercado britânico continua a ser muito relevante (cerca de 25% do total de não residentes), mas com outros mercados de relevo, como a Alemanha.


"O turismo na Madeira tem conseguido adaptar-se às alterações de procura."
 
"Parte dos efeitos do Brexit já foram sentidos através da depreciação da taxa de câmbio da libra estrelina."


Os desafios que se colocam ao turismo na Madeira não diferem das outras regiões, em que há um maior foco nas experiências "únicas" e na alteração dos padrões de procura, que importa monitorizar. A possibilidade de uma oferta mais abrangente, focada na natureza, é uma resposta já em implementação, sem descurar um atributo crítico a todos os setores, que é a prestação de um serviço de excelência e, por conseguinte, foco num turismo de maior qualidade.

Novos desafios poderão ser colocados à região, com a proposta de extensão da plataforma continental, que poderá potenciar o desenvolvimento de novas atividades, relacionadas com a exploração do fundo do mar e do subsolo marítimo, além das 200 milhas. Neste domínio, a relação com a Universidade na exploração de projetos de ensino e de investigação é essencial.

O setor da construção merece igualmente um apontamento, nomeadamente ao nível da Requalificação Urbana. Neste domínio, foi na Madeira que curiosamente se realizaram os dois primeiros projetos IFRRU do país, que orgulhosamente foram promovidos pelo Santander.

A insularidade pode ser um handicap para as empresas madeirenses? Como é que podem tornear esse eventual problema?
As empresas foram capazes de se adaptar a este custo de contexto, como o revela a diversidade do tecido empresarial da região. Para além do turismo, as empresas do setor agroalimentar exportam produtos com muita qualidade, nomeadamente a banana, o rum ou a dourada. Mas também o setor dos serviços soube usar a insularidade da melhor forma, com a criação e instalação de polos de desenvolvimento informático e novas tecnologias, decorrentes também da oferta formativa da Universidade da Madeira.


"Proximidade e relação são atributos que muito valorizamos."

"O programa "oferta não financeira" visa melhorar a competência das pessoas e facilitar o acesso ao talento."


Com a nova "revolução digital" em curso, e a terciarização da economia, é possível desenvolver um importante conjunto de atividades empresariais em serviços de elevado valor acrescentado em qualquer parte do globo, desde que exista uma boa rede de infraestrutura de comunicações. A Madeira pode registar uma especialização nesses setores de atividade, que têm ainda um peso reduzido no VAB da região.

Quais podem ser as consequências do Brexit na economia da Madeira, tendo em conta algumas ligações históricas?
Apesar das relações históricas, a relação comercial com o Reino Unido representa pouco mais de 5% do comércio internacional de bens da região, e ligada a setores como o vinho ou os bordados, por exemplo. Neste contexto, o impacto direto para a região seria similar ao do país, e potencialmente moderado. Acrescem impactos indiretos, na medida em que outros países seriam também afetados, aumentando o impacto final.

Podemos admitir ainda impactos adicionais por via do turismo, sendo o Reino Unido um dos principais mercados de origem, para a região e para Portugal. Contudo, parte dos efeitos do Brexit já foram sentidos, através da depreciação da taxa de câmbio da libra esterlina face ao euro, que reduziu o poder de compra dos turistas britânicos, procura que representa 20% do turismo da região, segundo principal mercado depois da Alemanha.

É efetivamente um facto relevante que importa acompanhar a futuro. Deve assumir-se um cenário de Brexit com acordo, o que permitirá manter os fluxos comerciais, bem como a circulação de pessoas, assim reduzindo os riscos adversos que poderiam ocorrer. 


Santander oferece formação a empresários

Na Academia Advence participaram já mais de 100 empresas da região da Madeira, que puderam beneficiar da formação proporcionada pelo Santander e pela Nova School of Business and Economics.

Para o Santander, a região de Madeira tem algumas características particulares em termos da atividade bancária, de financiamento e de crédito?
A Madeira e Porto Santo, quer pela sua geografia, quer pelo seu posicionamento enquanto região autónoma, quer ainda pela sua história, apresenta um dinamismo económico e social próprio, assumindo-se o Santander como um "dínamo" promotor do crescimento e desenvolvimento da região.

Na área do financiamento, para além das linhas de crédito protocoladas com o Governo Regional, como por exemplo, o Invest RAM 2020, apresentamos soluções amplas que cobrem todo o espetro de necessidades dos agentes económicos da região, sejam pessoas ou empresas.

Proximidade e relação são atributos que muito valorizamos. Para tanto, o Santander está presente em todos os concelhos da região, visando promover uma proximidade que permita prestar um serviço com a qualidade que os nossos clientes nos exigem.

A emigração é uma característica forte da região. Pela sua importância histórica e social, o Santander dá importância e particular atenção a esta idiossincrasia, fazendo um acompanhamento "próximo" e regular da diáspora com origem na Madeira.

Qual tem sido a adesão do tecido empresarial da Madeira às ofertas não financeiras, nomeadamente de formação e estágios propiciados pelo Santander?
O Programa "oferta não financeira" torna tangível o compromisso que o Santander tem para o desenvolvimento de pessoas e empresas. É um programa diferenciador que visa melhorar as competências das pessoas e facilitar o acesso ao talento, e é o nosso singelo contributo para promover a prosperidade dos nossos clientes.

Este ano estivemos presentes pela terceira vez na Madeira com as ações de Academia Advance. Depois do sucesso das duas primeiras edições em 2017 e 2018, desenvolvemos em 2019, em parceria com a Nova Business School, uma formação focada no setor do turismo e que contou com a participação de mais de 30 empresas (clientes e não clientes). No conjunto das três edições, participaram já mais de 100 empresas da região da Madeira.

Outro eixo de valor, é a possibilidade que oferecemos às empresas no acesso ao programa de estágios, e que conta com a Universidade da Madeira como nosso parceiro local. Trata-se de uma iniciativa que visa facilitar o acesso ao mercado de trabalho, pelos recém-licenciados, e o acesso ao talento, pelo lado das empresas.

O acesso a cursos de formação faz igualmente parte do programa e em 2019 foram já atribuídas 4 licenças de formação on-line a empresas da região autónoma da Madeira. Neste domínio, deixo o repto a todos os empresários e empresas da Madeira para solicitarem acesso aos bons conteúdos que temos disponíveis na plataforma www.pt.santanderadvance.com.

Box Santander Advance Empresas no Funchal

Os desafios e as perspetivas para o desenvolvimento económico e social da Madeira estão em foco na próxima Box Santander Advance Empresa, instalada no Funchal durante três dias: 26, 27 e 28 de Junho.

O Santander Advance Empresas está a promover a iniciativa Regiões mais Fortes que vai percorrer, em 2019, quatro cidades do país com o objetivo de reunir empresários, gestores, académicos e associações da região.

Com esta iniciativa pretende-se evidenciar o dinamismo económico e o potencial de cada região, criar oportunidades para trocas de ideias, mostrar os casos de sucesso das regiões e abordar temas fulcrais como formação, digitalização, exportação, competitividade, entre outros.

A iniciativa desenvolve-se numa Box instalada numa praça da cidade onde decorrem debates, workshops, sessões de esclarecimento e mostras da região. Depois de Leiria, é a vez do Funchal acolher a Box Santander.




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