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Economia circular: a substituição do "fim de vida" da economia linear

Para Portugal, a economia circular significa desafios como a sustentabilidade, a resiliência, a inclusão, a competitividade, a coesão territorial e a evolução demográfica da sociedade, diz Helena Pereira, presidente do júri.

Filipe S. Fernandes 20 de Julho de 2021 às 15:15
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A economia circular é apontada pela Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas como um tema integrante da política climática, na medida em que cerca de 67% das emissões de GEE (gases de efeito de estufa) estão relacionadas com a gestão de materiais. Sendo assim, "a economia circular é um conceito estratégico que assenta na prevenção, redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia", explica Helena Pereira, presidente do júri Economia Circular.

Quais os grandes desafios que se colocam em termos de sustentabilidade, nomeadamente na economia circular?
Substituindo o conceito de "fim de vida" da economia linear, a economia circular é vista como um elemento-chave para promover a dissociação entre o crescimento económico e o aumento no consumo de recursos, relação tradicionalmente vista como inexorável. Inspirando-se nos mecanismos dos ecossistemas naturais, a economia circular promove uma reorganização do modelo económico, através da coordenação dos sistemas de produção e consumo em circuitos fechados.

Caracteriza-se como um processo dinâmico que exige compatibilidade técnica e económica (capacidades e atividades produtivas), mas que também requer enquadramento social e institucional (incentivos e valores) e ultrapassa o âmbito e o foco estrito das ações de gestão de resíduos, como a reciclagem, visando uma ação mais ampla, desde o redesign de processos, de produtos e de modelos de negócio até à otimização da utilização de recursos — "circulando" o mais eficientemente possível produtos, componentes e materiais nos ciclos técnicos e/ou biológicos.

O que está a ser feito a nível nacional no âmbito desta categoria Economia Circular?
Para Portugal, a economia circular significa um desafio societal e multidisciplinar que potencia a sustentabilidade, a resiliência, a inclusão, a competitividade, a coesão territorial e a evolução demográfica da sociedade. Existe um conjunto forte de temas e iniciativas de Investigação e Inovação (I&I) dedicadas ao design e desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços; gestão sustentável dos ciclos de recursos; governança e território; e novos modelos de negócio, comportamento e consumo.

Em paralelo, nos últimos anos têm sido elaborados vários planos, estratégias e programas para o desenvolvimento de diversas áreas nas quais a I&I em economia circular terá de estar, incontornavelmente, presente. De entre os diferentes documentos estratégicos produzidos realça-se o PAEC – Plano de Ação para a Economia Circular em Portugal (2017-2020), atualmente a ser revisto. Ao nível nacional há iniciativas que terão um impacto direto na transição para a economia circular, principalmente o RNC2050 (Roteiro para Neutralidade Carbónica), em que a I&I é um eixo determinante, a revisão do PNPOT (Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território), que terá um papel preponderante na dinamização de um modelo potencialmente favorável aos territórios circulares, e do PERSU (Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos), que será decisivo para a cadeia de valor dos resíduos, mas também em escolhas integradas de serviços e plataformas orientadas para a circularidade ou a própria revisão do PAEC para um horizonte mais longo (2030-2050). 


Sustentabilidade Ambiental
Categoria Economia Circular
Serão aceites nesta categoria iniciativas, serviços ou produtos que resultem em inovação nas áreas de conceção, design, produção, distribuição e consumo, através da aplicação de princípios de economia circular ao longo do ciclo de vida do produto, promovendo a reutilização, reparação, renovação e reciclagem. Serão valorizadas iniciativas que promovam uma maior eficiência ambiental da cadeia logística (através ou não da introdução de princípios de economia circular), promovendo a redução/reutilização e a reciclagem de resíduos. Novos modelos de negócio que promovam a extensão da vida útil do produto, a partilha e o produto como serviço (privilegiando o uso em vez da propriedade) serão também elegíveis.

2020
• Vencedores – "Combate ao Desperdício Alimentar", da Jerónimo Martins
• Menção Honrosa – "Devolver à Terra", da Silvex, e "Ecoponto em Casa", da Maiambiente


Quem é?
Helena Pereira é presidente do júri Economia Circular. Preside à Fundação para a Ciência e a Tecnologia, é professora catedrática no Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, foi vice-presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia de 2017 a 2019, e da Universidade Técnica de Lisboa foi vice-reitora de 2007 a 2011 e reitora de 2011 a 2012.