Acções: Bolsa de Lisboa é pouco diversificada

Os especialistas destacam que é preciso atrair mais empresas para o mercado de capitais nacional e tornar a bolsa mais representativa da economia.
Acções: Bolsa de Lisboa é pouco diversificada
Patrícia Abreu 06 de março de 2018 às 14:34
O bom comportamento da bolsa portuguesa no último ano e a descida do prémio de risco do país têm atraído um maior número de investidores para o mercado nacional. Mas o reduzido número de empresas cotadas em Lisboa continua a ser um entrave ao investimento. Para os especialistas, é preciso trazer mais companhias para o mercado de capitais português e tornar a bolsa lisboeta mais representativa da economia.

"O PSI-20 não é um índice diversificado", realçou Rui Bárbara, na conferência sobre o "Futuro dos Mercados Financeiros", organizada pelo Negócios e pelo Banco Carregosa. Questionado sobre oportunidades na bolsa lisboeta, o gestor do Banco Carregosa alerta para a necessidade de "haver um movimento de mais entrada de empresas em bolsa".


18
Cotadas
O principal índice da bolsa de Lisboa, o PSI-20, conta apenas com 18 cotadas, menos duas que o número suposto.


"É preciso tornar a bolsa portuguesa mais alargada e mais representativa da economia." Apesar de ter vivido um 2017 bastante positivo, a bolsa lisboeta continua a revelar-se incapaz de atrair novas cotadas para o mercado accionista nacional, depois de ter assistido à saída de importantes empresas nos últimos anos.

Pedro Miguel Santos, Chief Investment Officer da True Magma, realça que "o tecido empresarial português é de três ou quatro grandes empresas e pequenas e médias empresas". E, por isso, é preciso ajustar a regulamentação à realidade empresarial portuguesa. Na opinião do especialista não é possível atrair companhias para o mercado de capitais enquanto empresas de menor dimensão forem confrontadas com requisitos de 2.000 páginas e custos elevadíssimos.

Mas, se para dinamizar a bolsa são precisas empresas, para investir nestas empresas são necessários investidores. E Rui Bárbara admite que há um maior interesse da parte de fundos de investimento internacionais nas companhias portuguesas. Entre os investidores portugueses, os episódios dos últimos anos criaram uma crise de confiança que, segundo a presidente da CMVM, as novas regras para os mercados financeiros poderão ajudar a ultrapassar.