Activos: Acções europeias e emergentes são aposta

A Europa é a região que continua a recolher a preferência dos especialistas, que acreditam que as acções ainda são o melhor activo para investir. Ainda assim, alertam que os ganhos do passado não se deverão repetir e é preciso ser mais selectivo. Sectores que subiram menos são a aposta.
Activos: Acções europeias e emergentes são aposta
A Europa e os mercados emergentes são apontados como as melhores regiões para investir em 2018. As obrigações convertíveis também são aposta.
Inês Lourenço
Patrícia Abreu 06 de março de 2018 às 14:37
Depois de um ano positivo para a generalidade das classes de activos, os retornos expressivos de 2017 não deverão repetir-se. Ainda assim, os especialistas continuam a identificar melhores oportunidades nas acções, sobretudo na Europa e nos mercados emergentes.

As bolsas mundiais registaram um forte arranque em 2018, mas as dúvidas em relação à política monetária nos EUA intensificaram uma correcção, que atirou os principais índices europeus para terreno negativo. "O mercado americano registou um retorno médio de 11,5% por ano nos últimos dez anos. E o índice europeu de 5,5%. Não é de admirar uma correcção", refere João Duque. Já Pedro Miguel Santos, CIO da True Magma, lembra que no Verão de 2015 se viveu uma situação semelhante à actual, potenciada pelos receios de uma aterragem brusca na China, no entanto "o 'bull market' continua".

"Há uma alteração da política monetária. Estamos a voltar à normalidade", realça o mesmo especialista. Assim, e depois da eleição do novo Presidente francês e do novo governo alemão, Pedro Miguel Santos refere que "há condições políticas para fazer as reformas que a Europa anseia e os mercados emergentes estão a crescer. Há um ambiente bastante favorável", que beneficia o investimento.


As acções europeias e dos mercados emergentes transaccionam em níveis mais atractivos. 


E na Europa, onde não se esperam subidas de juros até 2019, as obrigações de taxa variável são apontadas pelo CIO da True Magma como as melhores soluções de investimento. Também Rui Bárbara continua a identificar boas oportunidades de investimento na Europa e nos mercados emergentes. "A aposta deve ser em regiões cujas valorizações são menores", explica o gestor de activos do Banco Carregosa.

Enquanto os EUA vivem um "bull market" sem pausas desde 2009, a Europa viveu uma segunda recessão e "está numa fase mais atrás no crescimento económico do que os EUA". Já os emergentes "tiveram um 'bear market', o que deixou as acções em níveis bastante interessantes", justifica o mesmo gestor.

Além disso, Rui Bárbara acrescenta que "os sectores mais apetecíveis são os que ninguém gosta muito", como os sectores mais cíclicos, mais ligados à economia europeia. "Não é o sector tecnológico e empresas como a Apple ou a Amazon", acrescenta.

Mas o mercado não estará imune a riscos. "As pressões inflacionistas nos EUA estão a aumentar. O mercado irá fazer birras à medida que a Fed mostrar que está lá para subir juros", defende Rui Bárbara. Contudo, para o mesmo especialista, "só com os juros norte-americanos perto de 4% é que começarão a fazer mossa para as acções", porque concorrem com as bolsas em termos de retorno. "Mas ainda estamos longe disso", remata.





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mais votado Advogado do diabo 06.03.2018

Muito interessante e obrigado pelos conselhos.
Mas não olvidem por favor
que já lá vão os tempos
em que era rendível investir em função de preços ditos “atractivos”.
Hoje, para além dos preços ditos “atrativos”
já estão identificadas mais de 400 características
que podem tornar um investimento atrativo (ou não).
E o mais complicado, nem sequer é considerar essas características individualmente,
para as dezenas de milhares de alternativas atualmente existentes.
O mais complicado. é considerar sub-conjuntos dessas características, em combinações sinergéticas, com um número quase infinito de possibilidades combinatórias
e com resultados as mais das vezes, surpreendentes.
Mais uma vez obrigado pelos Vossos úteis conselhos,
mas que ninguém retire deles a ilação
(o que seguramente não foi Vossa intenção)
que é fácil e pouco exigente em matéria de trabalho, a atividade de investidor.
Recordem o exemplo de Mestre Buffett:
continua a ler 5oo páginas por dia, em dias de trabalho de 12 horas!

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Advogado do diabo 06.03.2018

Muito interessante e obrigado pelos conselhos.
Mas não olvidem por favor
que já lá vão os tempos
em que era rendível investir em função de preços ditos “atractivos”.
Hoje, para além dos preços ditos “atrativos”
já estão identificadas mais de 400 características
que podem tornar um investimento atrativo (ou não).
E o mais complicado, nem sequer é considerar essas características individualmente,
para as dezenas de milhares de alternativas atualmente existentes.
O mais complicado. é considerar sub-conjuntos dessas características, em combinações sinergéticas, com um número quase infinito de possibilidades combinatórias
e com resultados as mais das vezes, surpreendentes.
Mais uma vez obrigado pelos Vossos úteis conselhos,
mas que ninguém retire deles a ilação
(o que seguramente não foi Vossa intenção)
que é fácil e pouco exigente em matéria de trabalho, a atividade de investidor.
Recordem o exemplo de Mestre Buffett:
continua a ler 5oo páginas por dia, em dias de trabalho de 12 horas!

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