António Silva Tiago: “Licenciamento industrial desespera investidores”

O presidente da Câmara da Maia, António Silva Tiago, critica o "processo penoso" no licenciamento e sublinha que a autarquia é hoje “muito exigente na apreciação” dos projetos de investimento em matéria ambiental.
António Silva Tiago: “Licenciamento industrial desespera investidores”
Nuno Figueiredo
António Larguesa 21 de outubro de 2019 às 15:00
Os municípios têm as ferramentas de que necessitam para intervir na frente económica?
Têm alguns, mas ainda não os suficientes. Há dificuldades que por vezes se revelam insanáveis e que deixam escapar oportunidades de investimento potencialmente gerador de emprego e de riqueza. Por exemplo, a questão do licenciamento industrial chega a ser um processo penoso que se arrasta de ministério em ministério, levando alguns investidores ao desespero e à desistência, rumando a outras geografias mais atrativas. Há um caminho a fazer no sentido de agilizar processos e facilitar a vida a quem quer investir, sem, contudo, prescindir da regulação e da preservação da sustentabilidade ambiental.

Porque diz que a Maia é um território mais "seletivo" do que outros na atração de investimento?
Por princípio, acolhemos todo o investimento de braços bem abertos. Contudo, estamos num nível de desenvolvimento em que uma das preocupações essenciais é a sustentabilidade ambiental. Temos um caminho feito nessa matéria e somos hoje muito exigentes na apreciação técnica e política dos projetos. A comunidade que vive e trabalha na Maia beneficia de indicadores de eficiência ambiental e não abdicamos dessa conquista que é de todos. Projetos que possam pôr em risco a nossa tranquilidade e segurança ambiental não nos seduzem.

O que está a mudar na economia global, que seja já hoje notório a nível local?
Fundamentalmente, é que as empresas se suportam cada vez mais numa base tecnológica. E a Maia é hoje o primeiro concelho da Área Metropolitana do Porto com maior proporção de empresas de média e média-alta tecnologia, sendo o segundo da região Norte e o terceiro a nível nacional. Veja-se o Tecmaia, no qual essa realidade tecnológica está bem patente.

Lidera um concelho com forte peso industrial. Com as alterações climáticas na agenda, como é possível conciliar esse tema com o crescimento económico?
A Maia é um dos primeiros territórios a nível nacional em que o município concebeu e aprovou a sua estratégia de combate às alterações climáticas, alinhada com as recomendações internacionais e com as nossas características naturais e contexto regional. Temos como meta a descarbonização do território, visando promover interações, tanto quanto possível, isentas de carbono e de impactos ambientais nefastos. Temos em plena execução um conjunto de políticas ao nível da mobilidade, criando alternativas efetivas de mobilidade suave ou de transporte coletivo e de medidas concretas para a transição energética, em que as empresas da Maia são integradas como parceiros estratégicos, numa base de diálogo e franca cooperação institucional.

Como antecipa que seja o concelho daqui a uma década, em termos económicos?
A Maia em 2028 será uma economia local ainda mais magnética e vibrante. Não tenho dúvidas de que será, certamente, um concelho de pleno emprego, média e altamente qualificado, a laborar em empresas da nova revolução industrial que não pode ainda ser batizada, dado que, a meu ver, a economia no final dessa década estará inexoravelmente condicionada pela tecnologia digital e, "preocupantemente", pela inteligência artificial.



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