Outros sites Cofina
Notícia

Bruno Bernardes: “Investimento no desenvolvimento de um mirrored world já está a acontecer”

Marcas como a Unilever, a Mercedes AMG, a NFL ou a Ducati e a Exelon estão atualmente a investir em digital twins, através de parcerias estratégicas com players tecnológicos como a Microsoft, a Amazon, a Google, a Tibco e a Accenture.

Filipe S. Fernandes 14 de Julho de 2021 às 10:30
Bruno Bernardes, Associate Director da Accenture Technology em Portugal DR
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

"As principais características que o Technology Vision 2021 considera para um ‘mirrored world’ são a capacidade de monitorizar em tempo real, simular e ter uma visão clara de toda a streamline de processos, mapeada em modelos digitais e altamente escaláveis, sendo por norma, alavancados em abordagens de big data e inteligência artificial", afirma Bruno Bernardes, associate director da Accenture Technology em Portugal. 

São dados estruturados que aproximam o mundo digital ao mundo real e que permitem responder a perguntas muito concretas para uma empresa, como por exemplo: "De que maneira a operação é impactada se houver uma paragem de um dia?" ou " Qual o impacto se o fornecedor falhar a entrega?".

Qual é a importância das redes de conexão expansivas e de alargamento do espaço digital das empresas? Esta performance está ao alcance de qualquer empresa?
Estas redes de conexão expansiva e de alargamento do espaço digital ainda são uma realidade em construção, mas acreditamos que, muito em breve, será a fundação para o negócio operar. Um estudo realizado pela Accenture mostra que 83% dos executivos concordam que as estratégias de negócio e tecnológicas estão e serão cada vez mais inseparáveis. O alargamento do espaço digital e o aumento das redes de conexão expansivas permitirão às empresas utilizar os dados e a informação recolhida como "drivers" para a tomada de decisões estratégicas, aumentar e escalar as capacidades de análise preditivas e preventivas em tempo real e desbloquear novos ecossistemas "espelho" inovadores com os seus parceiros.

Os dados são um dos elementos estratégicos deste ecossistema, mas segundo os gestores que participaram no estudo, as empresas apenas utilizam 11% dos dados recolhidos. Como é que se pode aumentar a escala de utilização e quais podem ser os resultados?
Para aumentar a escala é preciso obter uma visão holística dos "insights" e da informação que uma empresa tem disponível com base nos dados que recolhe, é necessário garantir uma estratégia de dados clara, sistematizada e orientada a business outcomes. Esta abordagem assenta em três pontos fundamentais.

O primeiro é a recolha de dados com elevado nível de qualidade e dados de histórico. Estes dois fatores são essenciais para melhorar a qualidade dos processos de monitorização e modelos de "customer behaviour" ao longo do tempo, de modo a obter digital twins que descrevam o mundo real com um grau de precisão elevado.

O segundo passa pela definição de uma estratégia de recolha de dados em tempo real, que se divide em dois momentos distintos. Por um lado, o investimento em sensores e dispositivos de IoT para recolha de dados e, por outro lado, o investimento em ferramentas e tecnologias de big data para realizar a preparação, análise e visualização dos dados que são recolhidos de forma massiva.

O terceiro ponto tem a ver com o desenho de uma estratégia de integração de dados para diferentes digital twins e integração de diversas subcomponentes que alimentam o ecossistema "mirrored world". A integração de dados da organização, bem como de dados externos de parceiros e outros ecossistemas, será uma das peças-chave que deverá encaixar nesta estratégia de dados.

Todos estes processos e mudanças implicam uma abertura das empresas ao mundo. Qual é o roadmap das empresas que querem fazer a sua reinvenção?
O investimento para o desenvolvimento de um "mirrored world" já está a acontecer, como podemos ver em marcas como a Unilever, a Mercedes AMG, a NFL ou a Ducati e a Exelon que estão atualmente a investir em estratégias consolidadas para a criação de "digital factories", ambientes de simulação, estratégias de recolha, processamento e análise de dados com o objetivo de espelhar o mundo real numa verdadeira abordagem de digital twin.

Este investimento em digital twins está intrinsecamente ligado às parcerias estratégicas realizadas por estas empresas com players tecnológicos como a Microsoft, a Amazon, a Google, a Tibco e a Accenture para acelerar e potenciar esta evolução ao longo de toda a cadeia de valor e de todo o ciclo de desenvolvimento.