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Iniciativas sustentáveis na saúde

A inovação, a promoção da saúde e prevenção da doença e a integração e continuidade de cuidados são três das cinco categorias do Prémio Saúde Sustentável, uma iniciativa do Jornal de Negócios com a Sanofi orientada para a divulgação e incentivo de boas práticas para a sustentabilidade da Saúde em Portugal.

Filipe S. Fernandes 03 de Outubro de 2022 às 13:00
Getty Images/iStockphoto
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Mais testes e mais resultados

É um projeto de rastreio da infeção VIH automatizado, que foi implementado no Serviço de Urgência do Hospital de Cascais em setembro de 2018, com o apoio da farmacêutica Gilead, sendo o primeiro hospital fora dos EUA a implementar o projeto Focus. Surgiu da candidatura da Câmara de Cascais a Fast-Track-City (Cascais na Via Rápida para acabar com a epidemia do VIH/sida e eliminar a hepatite C em Portugal até 2030, iniciativa liderada pela ONUSIDA). O Hospital de Cascais comprometeu-se a desenvolver ações para aumentar o número de testes VIH realizados na instituição”, disse Sílvia Silva da direção de Projetos e Contrato de Gestão do Hospital de Cascais. Com o Focus, a média anual de testes VIH realizados no Serviço de Urgência, que era de 1.400, passou para cerca de 13.000 testes/ano. Nos três primeiros anos do projeto foram diagnosticados 69 casos novos de infeção VIH, contra 37 novos diagnósticos realizados nos três anos anteriores e reduziu-se a taxa de diagnósticos tardios de 78% para 44%.

Diminuição dos lixos biológicos

Os cuidados de saúde são responsáveis por cerca de 4% da pegada de carbono mundial e a endoscopia é o terceiro maior produtor de resíduos a nível hospitalar. O lixo biológico requer incineração previamente à sua eliminação, e o custo de processamento e eliminação é mais de dez vezes superior face ao lixo comum, e a eliminação de um quilo de lixo biológico produz cerca de três vezes mais CO2 do que um quilo de lixo comum. Com base nestas premissas, a Unidade de Endoscopia da Unidade de Portimão do Serviço de Gastrenterologia do Centro Hospitalar Universitário do Algarve decidiu desenvolver um estudo prospetivo interventivo para avaliar a produção e eliminação de resíduos endoscópicos e as implicações na pegada de carbono da endoscopia, a realizar formação e fazer a colocação e reposicionamento de baldes de reciclagem. Os principais resultados obtidos foram a redução média de 13% de resíduos gerados e de 41,4% de lixo biológico, refletindo uma diminuição da pegada de carbono de 31,6%.

Jogos cognitivos por realidade aumentada

“O projeto nasceu de uma aliança entre a clínica e a academia para dar resposta às novas necessidades em saúde decorrentes do envelhecimento populacional, nomeadamente na área das demências”, esclarece Carla Pombo, coordenadora do projeto. Consiste na criação de jogos cognitivos para uma plataforma de realidade aumentada, permitindo desta forma efetuar sessões terapêuticas inovadoras de promoção do envelhecimento ativo e prevenção da demência. Uma equipa de especialistas na área do envelhecimento e demências da Casa de Saúde da Idanha desenvolveu os conteúdos científicos e terapêuticos dos jogos cognitivos que depois o Instituto de Sistemas e Robótica do Instituto Superior Técnico gamificou para uma plataforma de realidade aumentada. As sessões de grupo com esta ferramenta tecnológica inovadora permitem estimular simultaneamente os domínios cognitivo e físico. O projeto decorreu até ao final de 2022 e já abrangeu cerca de 300 seniores do concelho de Sintra.

Exercício através de uma app

O projeto WalkingPAD é suportado por um ecossistema tecnológico que permite a prescrição e supervisão do exercício físico numa numa plataforma web, que integra sistemas de informação geográfica para facilitar a definição de percursos de caminhada a incluir na prescrição. O doente com Doença Arterial Periférica (DAP) acede ao sistema através de uma aplicação móvel que monitoriza e regista as caminhadas, incluindo dados de posicionamento (GPS), e que tem diversos sensores para avaliação da caminhada. Existe um assistente virtual para um acompanhamento personalizado, e mecanismos de gamificação que motivam a adesão e continuidade no programa. Este projeto resulta de uma colaboração com o INESTEC e a UTAD e procura aumentar a adesão ao tratamento e responder ao facto de a doença arterial periférica, como todas as doenças cardiovasculares, ter como primeira linha de tratamento o exercício físico na forma de caminhadas.

As terapias através do digital

O EM’Rede permite que através de uma intervenção à distância seja possível fazer chegar aos utentes serviços como a fisioterapia, a terapia da fala, a psicologia, as atividades ocupacionais, a estimulação cognitiva. O projeto surgiu no início da pandemia, quando a SPEM adaptou os serviços presenciais ao digital, porque os seus utentes estavam no grupo de risco. Foi a forma de fazer com que “estas pessoas nunca deixassem de ser acompanhadas, substituindo o SNS durante mais de um ano e meio, e, ao mesmo tempo, fazendo com que outras pessoas que se encontravam em regiões mais distantes pudessem iniciar as terapias necessárias à manutenção da sua condição de saúde”, explica Mara Dias, gestora de projetos da SPEM. Foram realizadas mais de 220 sessões de grupo e mais de 700 sessões individuais apenas com nove profissionais envolvidos em 11 regiões do país.

A aliança pelo coração

As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte e incapacidade na população portuguesa. Estima-se que 80% destas mortes podem ser prevenidas com maior literacia em saúde e alterações nos estilos de vida, e se as doenças cardiovasculares forem precocemente diagnosticadas. “É um projeto de intervenção comunitária que pretende melhorar a literacia em saúde, sensibilizando a comunidade para a promoção de estilos de vida saudável com base na avaliação do risco cardiovascular, utilizando estratégias lúdicas e interativas, para assim contribuir para a prevenção precoce das doenças cardiovasculares”, disse Filipa Homem, coordenadora do projeto e enfermeira na unidade de cuidados intensivos cardíacos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC). Desde 2016, a delegação centro da Fundação Portuguesa de Cardiologia lidera este projeto em parceria com múltiplas instituições, e são dinamizadas intervenções mensais dedicadas a diferentes fatores de risco.

Projeto-piloto na saúde mental

O objetivo principal da equipa é prestar cuidados psiquiátricos a utentes e famílias numa perspetiva de proximidade e em articulação com as estruturas da comunidade. Como conta Hugo Afonso, coordenador da equipa, surgiu na sequência do Despacho 2753/2020 de 28 de fevereiro e das orientações constantes neste para a criação de projetos-piloto a nível nacional com o propósito de prestar cuidados de saúde mental. Este projeto tem vindo a desenvolver-se na sequência de um trabalho multidisciplinar colaborativo, sob a coordenação do médico psiquiatra que compõe a equipa e com a supervisão, apoio e colaboração próximos de Jorge Humberto, diretor do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar Tondela Viseu.

A diabetes em meio escolar

Trata-se de um projeto de integração de cuidados no âmbito do acompanhamento em meio escolar das crianças e jovens com diabetes mellitus que estão grande parte do dia na escola e necessitam de uma adequada gestão da autovigilância/autocontrolo, da administração de insulina, da alimentação e da atividade física, bem como das situações de crise. Em termos de intervenção, vai da elaboração do plano de saúde individual e do plano de acompanhamento à implementação da teleconsulta/teleassistência, com disponibilização de consulta por videochamada, passando pela formação, capacitação e a literacia em saúde de vários intervenientes na cadeia educativa, à produção de instrumentos informativos e comunicacionais, como, por exemplo, a produção de um conjunto de vídeos educativos sobre o uso das bombas perfusoras, até à implementação do kit SOS Diabetes em cada escola.