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Isabel Barros: O cenário de intervenção política e social é muito desigual

Em Portugal, a participação política é, na média dos diferentes indicadores, 39% da verificada para os homens, segundo o relatório de 2020 do World Economic Forum, diz Isabel Barros, presidente do júri da categoria Igualdade e Diversidade.

Filipe S. Fernandes 20 de Julho de 2021 às 16:30
Isabel Barros, administradora executiva da Sonae MC
Isabel Barros, administradora executiva da Sonae MC
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As mulheres, os mais pobres e idosos, pessoas com incapacidade e populações migrantes foram as principais vítimas dos efeitos sociais e económicos da pandemia. Os setores de atividade com maior participação feminina foram mais afetados e o papel da mulher como principal cuidadora do lar foi exacerbado, com impactos negativos para o seu desenvolvimento profissional.

Isabel Barros, administradora executiva da Sonae MC e preside ao Grupo Consultivo de Sustentabilidade das empresas Sonae, alerta para o crescente papel da tecnologia na construção do futuro, que é uma área na qual tradicionalmente as mulheres e as gerações mais velhas têm menor formação, o que torna mais difícil caminhar no sentido da igualdade. Por isso defende que é urgente um investimento em educação e formação profissional que mitigue esta desvantagem comparativa e crie condições para um crescimento económico sustentável e assente numa estrutura social com equidade. Os programas comunitários têm, naturalmente, aqui um papel determinante.

Quais os grandes desafios que se colocam em termos de sustentabilidade, nomeadamente na igualdade e diversidade?

Na Sonae MC acreditamos que a diversidade fomenta a inovação e a capacidade de dar resposta a desafios, impactando de forma muito relevante os resultados.

Defendemos também que todos têm direito a sentir-se integrados, beneficiando das condições certas para desempenhar o seu papel na organização e contribuir para um objetivo comum. Trabalhamos ativamente para construir este ambiente diverso e inclusivo em cinco dimensões principais: género, incapacidades, geração, cultura & etnia e ainda LGBT. A diversidade de género tem beneficiado de uma atenção especial, com KPI (Key Performance Indicator) ambiciosos para o peso das mulheres em cargos de liderança e iniciativas transformacionais que nos têm permitido evoluir de forma consistente.

Temos, no entanto, trabalhado este tema de forma transversal às várias dimensões e junto de toda a nossa população, embora, naturalmente, com um enfoque mais significativo nos líderes e equipas de recrutamento, que têm um papel preponderante na construção desta diversidade.

Dar evidência aos preconceitos inconscientes que todos temos e munir as pessoas de ferramentas para os reconhecerem e contrariarem é um passo importante, mas só será possível alcançar os resultados a que nos propomos com uma abordagem sistémica, contínua e assente em indicadores claros que nos permitam identificar os problemas e monitorar a evolução.

O que está a ser feito a nível nacional em termos de igualdade e diversidade?

A implementação de quotas para mulheres na administração e a obrigatoriedade de desenvolver um plano para a igualdade nas empresas cotadas em bolsa são exemplos claros de iniciativas que trouxeram este tema para a ordem do dia em Portugal, levando as empresas e instituições a ter um papel mais ativo nesta matéria.

Na educação, este tema tem também sido muito debatido, mas ainda sem iniciativas capazes de mudar mentalidades e acelerar significativamente o caminho para a igualdade.

Em linha com o que acontece na generalidade dos países, em Portugal a participação política é, de acordo com o relatório de 2020 do World Economic Forum, a área em que assistimos a uma maior desigualdade de género, em que a participação política das mulheres é, na média dos diferentes indicadores, 39 por centpo da verificada para os homens. A precariedade deste indicador mostra-nos o muito trabalho que temos pela frente, mas também a dificuldade de o desenvolver num cenário de intervenção política e social tão desigual.

Quem é? Isabel Barros é presidente do júri da categoria Igualdade e Diversidade. É administradora executiva da Sonae MC e preside ao Grupo Consultivo de Sustentabilidade das empresas Sonae. Licenciada em Psicologia pela Universidade do Porto e com um MBA pela EADA Business School Barcelona e Nagoya International School Japão.

 
SUSTENTABILIDADE SOCIAL
Categoria Igualdade e Diversidade

 

Serão aceites nesta categoria iniciativas, serviços ou produtos que contribuam para o desenvolvimento e fortalecimento social e visem a igualdade e redução de desigualdades, através da eliminação de qualquer tipo de discriminação e da violência (por exemplo, relacionada com ascendência, idade, sexo, orientação sexual, identidade de género, estado civil, situação familiar, situação económica, instrução, origem ou condição social, património genético, capacidade de trabalho reduzida, deficiência, doença crónica, nacionalidade, origem étnica ou raça, território de origem, língua, religião, convicções políticas ou ideológicas e filiação sindical, entre outros).

2020

• Vencedores - Prémios BPI La Caixa, da Fundação La Caixa.

• Menção Honrosa - Serviço de Atendimento a Cliente em Língua Gestual Portuguesa, da Vodafone.

 

 

SUSTENTABILIDADE SOCIAL Categoria Igualdade e Diversidade