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Miguel Viana: “Energia eólica offshore será uma tecnologia central”

O plano de negócios 2021-2025 da EDP assume o investimento de 1,5 mil milhões de euros em projetos renováveis no oceano até 2025, lembrou Miguel Viana, diretor de sustentabilidade da EDP, parceira do Jornal de Negócios na iniciativa “Mar Sustentável”.

Rute Coelho 22 de Novembro de 2022 às 13:00
Miguel Viana, diretor de Sustentabilidade da EDP Tiago Sousa Dias
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A EDP já está a apostar forte na fonte inesgotável de recursos energéticos que o mar representa, com um investimento de enorme relevância em projetos renováveis no oceano. Miguel Viana, diretor de sustentabilidade da elétrica, estima que a quota de energias renováveis na produção de eletricidade deverá ter um aumento para 65% até 2030, com particular incidência no offshore. E a energia eólica offshore, na qual a EDP está a investir, será uma tecnologia central para acelerar a transição energética global.

Qual a importância da economia azul para a EDP?
A economia azul promove o crescimento económico baseado na preservação dos ecossistemas marinhos e na sustentabilidade ambiental, tendo, por isso, uma importância cada vez maior no caminho que a EDP está a pautar na transição energética. Fortemente ligada a este compromisso está a nossa aposta na energia eólica offshore, que se prevê que seja uma tecnologia central para acelerar a transição energética global, ao permitir o fornecimento de energia em grande escala, económica e fiável, sem emissões de carbono.

A capacidade global de energia eólica offshore situa-se atualmente em cerca de 40 GW, com quase metade dessa capacidade, 21 GW, tendo entrado em funcionamento em 2021, o que demonstra o crescimento e o potencial desta tecnologia. Estima-se que a quota de energias renováveis na produção de eletricidade deverá ter um aumento para 65% até 2030. Em particular no offshore até 380 GW, 11 vezes mais do que em 2020.

Como é que essa aposta da EDP se está a concretizar?
O plano de negócios 2021-2025 da EDP assume o investimento de 1,5 mil milhões de euros em projetos renováveis no oceano até 2025, traduzindo-se no nosso contributo para a meta de adição de capacidade eólica da Ocean Winds (OW), a joint-venture que a EDP Renováveis detém em 50/50 com a Engie. No total, até 2025, a OW prevê ter 5 a 7 GW de projetos que já estarão em operação ou em construção e 5 a 10 GW de projetos em desenvolvimento avançado. A OW está atualmente presente em sete geografias (Bélgica, França, Polónia, Portugal, Coreia do Sul, Reino Unido e EUA) e inclui projetos em funcionamento como o offshore flutuante Windfloat Atlantic (Portugal), Seamade (Bélgica), bem como Moray East (Reino Unido), tornando-se o maior parque eólico offshore da Escócia em funcionamento com 950 MW de capacidade instalada. Mas não é só a vertente de negócio que nos move, já que, para além desse grande potencial, o segmento offshore tem também claros benefícios económicos e ambientais que a EDP vai continuar a promover, juntamente com a sustentabilidade do oceano, em linha com os princípios das Nações Unidas.

Estima-se que a quota de energias renováveis na produção de eletricidade deverá ter um aumento para 65% até 2030.
Especificamente, a UNGC estabeleceu nove Princípios para o Oceano Sustentável, que oferecem um enquadramento para a prática de negócios sustentáveis em todas as indústrias e regiões. Estes princípios têm por base e complementam os 10 Princípios da UNGC, nos domínios de direitos humanos, práticas laborais, ambiente e anticorrupção.

Os signatários deste compromisso, entre eles a EDP, EDPR e Ocean Winds, reconhecem a urgência e importância global de garantir um oceano saudável, comprometendo-se para isso a tomar medidas promotoras da sustentabilidade dos oceanos para as gerações atuais e futuras, nos âmbitos "Saúde e Produtividade dos Oceanos", "Governação e Envolvimento" e "Dados e Transparência". A participação da EDP na Conferência dos Oceanos refletiu igualmente a importância que a economia azul cada vez assume mais no nosso negócio.

O que falta fazer na transição energética associada à economia azul?
A transição energética não é uma ação que ignore todos os contextos onde se articula: é precisamente um conceito com um foco grande na proteção do planeta e na sua sustentabilidade. Temos de continuar a apostar no desenvolvimento de energias renováveis offshore, na descarbonização dos transportes marítimos e em tornar os portos mais sustentáveis. Um mix energético no oceano, entre eólica offshore, energia térmica, de tecnologias inovadoras ligadas às ondas e às marés, pode ser o caminho para um contexto energético mais robusto.

Igualmente deve haver uma coordenação no diálogo entre operadores offshore, stakeholders e cientistas envolvidos, seja na pesca, na aquacultura, navegação, turismo, energias renováveis e outras atividades que possam estimular um intercâmbio cooperativo para a utilização sustentável do ambiente marinho. A título de exemplo, a EDP associou-se a uma campanha de limpeza subaquática desenvolvida pela associação Oceanum Liberandum com a Câmara Municipal de Sesimbra, que acabou por bater o recorde do Guiness ao juntar em Sesimbra 597 mergulhadores no dia 24 de setembro e onde foram recolhidas 3 toneladas de resíduos só ao largo do porto de Sesimbra.

Estamos a atravessar um momento único para mobilizar todos para uma ação consistente e coletiva com poder para transformar o mundo num lugar melhor para as gerações futuras. A EDP vai continuar a contribuir para esta mudança com objetivos ambiciosos de transição energética.