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Notícia

O novo consumidor e a fragmentação do mercado

A fragmentação do mercado permite que cada consumidor tenha um estilo de alimentação muito próprio, como novos padrões e formas de consumo.

Filipe S. Fernandes 15 de Dezembro de 2020 às 15:00
Jorge Portugal, diretor-geral da Cotec
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"Estamos diante de um consumidor diferente, cada vez mais exigente, mais digital, mais racional e menos social, e com peso crescente dos nativos digitais. São novos padrões e novas formas de consumo que há dez anos não existiam", disse Cláudia Domingues, presidente da InovCluster e vereadora da Câmara Municipal de Castelo Branco.

O consumidor dos novos tempos preocupa-se com a saúde, os produtos saudáveis, ao mesmo tempo que desenvolve um consumo cada vez mais sustentável num alinhamento entre o desenvolvimento sustentável das empresas e as opções dos novos consumidores. "A tendência de consumir o que é verde, a redução de açúcar, o consumo de proteína e a origem e autenticidade dos produtos".

Cláudia Domingues refere ainda uma "fragmentação do mercado, que permite que cada consumidor tenha um estilo de alimentação muito próprio. É uma grande oportunidade também para a transformação dos produtos agrícolas no sentido de produção para nichos específicos. Temos produtos de excelência e de elevada qualidade mas não temos muita quantidade". Assinala ainda a denominada snackfication, que é "a tendência para as pessoas "picarem" ente as refeições pequenos produtos, o que dá origem à tendência de consumo de snacks".

Online e proximidade

Uma das mutações criada por esta pandemia foi não só a explosão do comércio eletrónico mas também uma revalorização do comércio de proximidade, disse Cláudia Domingues. No aspeto da distribuição, Jorge Portugal, diretor-geral da Cotec, exemplificou com a Hubel que faz não só uma agricultura de precisão com as framboesas mas também uma distribuição com precisão para aproveitar o pricing e referiu ainda que a experiência digital aproxima compradores e vendedores.

Filipe Conceição concordou que a cadeia de valor na agricultura está a transformar-se. "Tivemos as pressões dos grandes grupos a quererem a assimilar o máximo de valor na cadeia desde a produção das sementes até aos produtos crescidos e o agricultor estava a ser cada vez mais esmagado na cadeia de valor".

Na sua opinião, uma das grandes lutas na agricultura é como voltar a dar valor e retorno aos agricultores porque não basta gerar e criar valor mas capturar, esse valor até porque para investir em inovação só se torna sustentável se o valor for captado pelo agricultor".

As novas plataformas digitais e os próprios mercados tentam chegar diretamente os produtos não só através das cadeias de logística normais, mas também de operadores de mercado que tentam fazer uma redistribuição de valor indo diretamente aos agricultores.