O garimpeiro de dados

Joel Selanikio vai ser um dos oradores do Be Well Global Health Conference que se vai realizar a 1 de Outubro de 2016 no Meo Arena em Lisboa numa organização da MSD e do Jornal de Negócios com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Câmara Municipal de Lisboa. O tema da sua intervenção está relacionado com o "big data".
Filipe S. Fernandes 16 de agosto de 2016 às 10:07

Joel Selanikio
, Epidemologista, CEO e co-fundador da Magpi



Joel Selanikio começou por fazer um curso superior na área informática e trabalhar em Wall Street. Pouco tempo depois regressou à faculdade para se licenciar em medicina e especializar-se em pediatria. Trabalhou no Center for Disease Control and Prevention (CDC) no Epidemic Intelligence Service e participou em várias missões internacionais para a recolha de dados e informações em países em desenvolvimento, para dar uma maior consistência às políticas públicas de saúde mundiais. Quando se trata dos grandes problemas de saúde mundiais os "dados que nos ajudam a resolver os problemas não se encontram na internet", diz Joel Selanikio. Por isso muitas vezes não se sabem quantas pessoas foram afectadas por desastres naturais ou conflitos militares e violentos, quais são as clínicas nessas regiões têm medicamentos e que tipo de medicamentos, não se sabe como se abastecem. Em alguns países não se sabe quantas crianças existem, a que ritmo nascem, não se sabem as taxas de mortalidade infantil, de pessoas idosas, com problemas mentais. Muitas vezes as políticas públicas de saúde mundiais foram baseadas em "poucos dados, dados antigos ou mesmo nenhuns dados" refere.

Em 1995 desenvolveu software para preparar os Palm Pilot para a recolha e tratamento de dados, que poderia albergar milhares de formulários que substituiriam os formulários de papel que faziam parte do arsenal de recolha de estatísticas. Com a recolha electrónica e digital agiliza-se o processo de decisão pois passa-se para a análise e definição de políticas e podem salvar-se rapidamente vidas.

Depois Joel Selanikio e Rose Donna concluíram que esta tecnologia para recolha de dados implicava uma tecnoestrutura de consultores. Para fazer com que as pessoas nos diferentes países pudessem fazer essa recolha de dados a menores custos inspiraram-se na tecnologia do "mail", que faz a distribuição da tecnologia sem ter de enviar consultores e é baseada numa "cloud", não requer treino, programação ou consultores. Assim surgiu em 2003 o software EpiSurveyor, uma aplicação que facilita a recolha de dados para organizações sem fins lucrativos, formando a DataDyne, que hoje é a Magpi. É um criador de formulários que podem ser carregados em telemóveis e não têm de ser "smartphones" nem telefones topo de gama. Utiliza formulários por mensagens.

Um processo que demorava dois anos pode ser feito em 5 minutos, desde a recolha de dados até mapas, análises e gráficos, com uma grande melhoria de eficiência. Hoje mais de 60 mil utilizadores em mais de 170 países utilizam o Magpi nas suas operações de campo. Como aconteceu recentemente com a epidemia de Ebola, em que Joel Selanikio foi entre Dezembro de 2014 e Janeiro de 2015, líder no Centro de Tratamento do ébola em Lunsar, Serra Leoa ou em 2005 no tsunami que abalou a Ásia.





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