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Os três bons exemplos de práticas em saúde

A organização da rede dos 18 blocos cirúrgicos do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, o call center que se alojou na cloud da Amazon para combater a pandemia, e uma aplicação para as doentes de cancro da mama são os vencedores do Prémio Investir em Saúde 2020.

Filipe S. Fernandes 26 de Novembro de 2020 às 15:00
Joana Seringa explica que o processo teve como base o modelo de agendamento cirúrgico “6-4-2”. DR
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Categoria: Value-Based Healthcare
Projeto: Macroprocesso de Gestão do Doente Cirúrgico
Instituição: Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central

Um dos três casos vencedores dos Prémios Investir em Saúde 2020 chega do IPO de Coimbra e é uma aplicação para complementar e melhorar o acompanhamento e suporte psicossocial de mulheres com cancro da mama, durante o primeiro ano de tratamento oncológico ativo. Em Lisboa, o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central procurou melhorar a experiência do utente cirúrgico, melhorar a eficiência técnica, operacional e financeira sobretudo para reduzir o cancelamento das cirurgias. Em Almada, Pedro Pacheco, médico de família da USF da Cova da Piedade, teve a ideia de recorrer a um serviço disponibilizado pela Amazon Web Services (AWS) Portugal, na sua plataforma de Solidariedade Digital, para fazer um call center.

A organização de uma rede de blocos operatórios

A rede de 18 blocos operatórios no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC) caracteriza-se pela dispersão por seis polos, mas carecia de instrumentos de monitorização e controlo que permitissem um modelo de governação coerente e eficaz com os outros serviços clínicos e os serviços de suporte. O que se traduzia numa limitação à produção, produtividade e qualidade do serviço prestado aos doentes, afetados pelo número de cancelamentos de cirurgias.

O Macroprocesso de Gestão do Doente Cirúrgico surgiu "no sentido de orientar e definir as principais atividades, tempos de resposta e responsabilidades em cada uma das etapas do percurso do utente cirúrgico", explica Joana Seringa, gestora de blocos operatórios.

Para a sua elaboração recorreu ao processo colaborativo e multidisciplinar assente na metodologia de focus group, que envolveu elementos de todos os grupos profissionais e funções, que impactam ou são impactadas pela atividade dos blocos operatórios, desde médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica aos assistentes técnicos, assistentes sociais, passando pelos assistentes operacionais e administradores hospitalares.

"Este é um processo cuja implementação teve início em agosto de 2020 e teve como base à sua conceção o modelo de gestão de agendamento cirúrgico "6-4-2", implementado em hospitais de vários países, como os hospitais do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido", referiu Joana Seringa. Este modelo significa que, quatro semanas antes do dia da cirurgia, se dá início à elaboração do programa operatório, duas semanas antes do dia da cirurgia conclui-se o programa operatório, e, uma semana antes do dia da cirurgia, bloqueia-se o programa operatório, que fica sujeito apenas a alterações excecionais.

Segundo Joana Seringa, "observa-se uma redução da taxa de cancelamentos cirúrgicos no próprio dia ou no dia anterior à cirurgia (em 5,5 pontos percentuais), que é um dos principais indicadores de qualidade e acesso a cuidados cirúrgicos". Acrescenta que com este programa se pretende "melhorar a experiência do utente cirúrgico, melhorar a eficiência técnica, operacional e financeira acrescentando, assim, valor para o utente, profissionais de saúde, instituição e Serviço Nacional de Saúde".

O prémio e o júri O Prémio Investir em Saúde 2020 é uma iniciativa do Jornal de Negócios e a Janssen, grupo Johnson & Johnson, com o apoio da APAH e da Accenture, knowledge partner, e que pretende distinguir os melhores trabalhos científicos e não científicos, com o objetivo de reconhecer e premiar as boas práticas na área da saúde. Nesta segunda edição, foram recebidas 20 candidaturas.

O júri foi formado por Alexandre Lourenço, presidente da APAH - Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Ana Sampaio, presidente da Associação Portuguesa de Doença Inflamatória do Intestino, Fernando Araújo, presidente do Centro Hospitalar Universitário de São João, Filipa Mota e Costa, diretora-geral da Janssen, e Filipe Costa, professor assistente da Nova SBE.