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Notícia

Um retrato da floresta portuguesa

A tendência de diminuição da área de floresta, que se verificava desde 1995, inverteu-se em 2015, com um aumento de 60 mil hectares (1,9%) face a 2010.

Filipe S. Fernandes 29 de Dezembro de 2020 às 13:30
Os eucaliptais ocupam 26% da floresta continental.
Os eucaliptais ocupam 26% da floresta continental. DR
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Os espaços florestais (floresta, matos e terrenos improdutivos) ocupam 6,2 milhões de hectares (69,4%) do território nacional continental segundo o 6.º Inventário Florestal, publicado em 2019. A tendência de diminuição da área de floresta, que se verificava desde 1995, inverteu-se em 2015, com um aumento de 60 mil hectares (1,9%) face a 2010.

A floresta, que inclui terrenos arborizados e temporariamente desarborizados (superfícies cortadas, ardidas e em regeneração), é o principal uso do solo nacional (36%). É maioritariamente constituída por espécies florestais autóctones (72%), embora algumas ocupando territórios maiores que a sua origem geográfica.

Em termos estruturais, funcionais e paisagísticos, a floresta do continente pode ser organizada em quatro grandes grupos. Os “montados”, sobreirais e azinhais são a principal ocupação florestal, com cerca de 1 milhão de hectares e representando um 1/3 da floresta. Os pinhais são a segunda formação florestal, com uma área próxima de 1 milhão de hectares, sendo os ecossistemas florestais com maior redução na área ocupada.

As folhosas caducifólias (carvalhos, castanheiros e outras) são a formação florestal menos representativa em área ocupada, embora se registe um aumento sistemático ao longo dos últimos 20 anos, sendo esta mais significativa no período entre os dois últimos inventários (2005 e 2015) (46 mil hectares, mais 17%).

A posse da floresta

Os eucaliptais ocupam 845 mil hectares, cerca de 26% da floresta continental e apresentando um sistemático incremento ao longo dos últimos 50 anos.

De acordo com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a maioria da área florestal nacional, cerca de 86%, está na posse de proprietários individuais, a restante está repartida entre o Estado, com 3%, pelas comunidades locais – baldios – em 6% e pelas empresas associadas da Celpa (Associação da Indústria Papeleira), 5%.

As empresas da indústria papeleira são responsáveis pela gestão de 190,3 mil hectares, 2,1% do território nacional, sendo que do total 162,4 mil estão ocupados por floresta de 5% da área florestal portuguesa. Em Portugal, a indústria papeleira é responsável pela gestão de 17% da área de eucaliptal, 1% do montado de sobro, 0,6% de espécies diversas e 0,5% do pinhal-bravo.

Em Portugal, são dois os sistemas que certificam os produtores e empresas em termos de gestão sustentável de florestas: o FSC Portugal (Forest Stewardship Council) e o PEFP (Programme for the Endorsement of Forest Certification). A FSC Portugal dispunha, até 8 de dezembro de 2020, de 490.018 hectares de floresta certificada em Portugal e a área da PEFC Portugal era de 295 mil hectares certificados, pertencentes a 2.189 proprietários e gestores florestais. Segundo o Público, “as estimativas conjuntas do FSC e PEFC para Portugal, publicadas em 2020 e relativas a meados de 2019, dão conta de 265,4 mil hectares com dupla certificação florestal. Um valor que, cruzado com os dados isolados de cada sistema, colocam a área florestal certificada em 486,2 mil hectares”.