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Jogo da Bolsa: Fintech e banca tradicional, uma relação win-win?

A opinião de Luís Oliveira, Departamento de Finanças da ISCTE-IUL Business School, e de Inês Oliveira, Risk Manager BBVA Portugal

Negócios 28 de Novembro de 2018 às 13:00
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Tempos houve em que achávamos normal ir ao videoclube e alugar dois ou três filmes para nos entretermos durante o fim-de-semana. Hoje, o negócio que nos anos 90 parecia impossível de desaparecer, foi naturalmente substituído (e sem que tenha deixado saudades) pelas plataformas de streaming que nos proporcionam liberdade e conforto na forma como acedemos aos diversos conteúdos multimédia.

Este exemplo ilustra perfeitamente a ideia de que a tecnologia e a acessibilidade da mesma permitem reinventar serviços, desburocratizar processos e aproximar os clientes ao serviço, adaptando-os às novas formas de interacção com o mundo. À semelhança do que aconteceu noutras áreas, as Fintech (termo que resulta da aglutinação dos termos da expressão financial technology , em português, "tecnologia financeira") estão a trazer enormes mudanças na forma como interagimos e nos relacionamos com as instituições financeiras tradicionais.

Aproveitando o espaço aberto pela crise financeira de 2007, que abalou enormemente confiança dos consumidores, deixando-os mais receptivos à utilização de formas alternativas de gestão das suas operações financeiras e pela massificação da utilização da internet móvel, smartphones e tablets, as fintech, pioneiras na reinvenção da experiência dos clientes no sector financeiro, têm vindo a forçar as instituições financeiras a romper com os seus modelos tradicionais de negócio. A boa notícia é que as fintech poderão não ser uma ameaça ao sector. Pelo contrário, poderão ser móbil do desenvolvimento do ecossistema financeiro. O aumento da eficiência será, com certeza, uma das mais importantes oportunidades criadas para o sector, libertando capital para investimentos que permitam o progresso contínuo, melhorando a experiência dos novos consumidores que aguardam expectantes a introdução de novas possibilidades, verdadeiramente disruptivas e mais condicentes com a sua forma de interacção com o mundo.

E se numa fase inicial estas empresas de tecnologia financeira se apresentaram ao mercado fundamentalmente como potenciais concorrentes do sistema tradicional, rapidamente se começou a assistir a um relacionamento mais cooperativo, no sentido proporcionar às instituições tradicionais melhorias significativas na forma de se relacionarem com os seus clientes, em grande parte determinado pelos avultados investimentos inerentes pela crescente regulamentação no sector, bem como pela entrada novos actores no mercado, como as bigtech (grandes tecnológicas que não são atores tradicionais dos serviços financeiros, como a Google, Amazon, Alibaba, Apple e Facebook).

A tecnologia está aí, disponível a todos e aos bancos e demais instituições que proporcionam serviços financeiros resta agir com abertura, colaborar e investir de modo a emergirem deste processo como campeões da digitalização, pois tal como afirmou Bill Gates "we need banking, not banks". Ao que eu diria "in fact...".

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