“Oferecer experiências superiores aos clientes, aperfeiçoar processos, desenvolver novos serviços e manter uma proposta de valor relevante e diferenciada”. É assim que Marlos Silva, responsável de Inovação da MC, justifica o facto de a inovação ser hoje um elemento estrutural da estratégia da organização. Na MC, reforça, a inovação deixou de ser um exercício pontual para ser assumida “como parte integrante da nossa cultura”.
Essa centralidade traduz-se numa transformação profunda das áreas onde a inovação tem maior impacto. Segundo o responsável, a MC tem evoluído significativamente na “digitalização da experiência de compra”, no reforço da sustentabilidade e na eficiência das operações, acompanhando a rápida mudança do setor. Projetos como o Smart Retail, reconhecido internacionalmente por materializar “a maior loja autónoma do mundo”, têm permitido explorar novas abordagens em “inteligência artificial, automação, logística e modelos de loja”, num contexto de experimentação tecnológica contínua e orientada para o negócio.
Em paralelo, a inovação no desenvolvimento de produto assume um papel igualmente relevante. Marlos Silva explica que iniciativas como o Co-lab, espaço de pesquisa e desenvolvimento dos produtos Continente, em estreita colaboração com o consumidor, e projetos como aViiafood, agenda de inovação empresarial do setor alimentar nacional liderada pela MC, têm permitido explorar novas abordagens ligadas ao “foodtech, à inovação e à sustentabilidade”. Estes programas são fundamentais, afirma, tanto no desenvolvimento de novos produtos alimentares como na sua adaptação “aos novos hábitos de consumo”.
Os dados são determinantes
Os dados e a tecnologia desempenham, neste percurso, um papel determinante na relação com o consumidor. Para o responsável de Inovação, estas ferramentas permitem “personalizar a experiência, oferecer maior comodidade e melhorar a qualidade do serviço”, enquanto suportam decisões mais informadas. A aposta passa por soluções que “simplificam o dia a dia das famílias” e tornam lojas, plataformas digitais e aplicações “mais intuitivas e eficientes”, reforçando a ligação entre o retalho físico e os canais digitais.
Equilibrar inovação, eficiência e proximidade ao cliente é um desafio estrutural num setor de grande escala. Para Marlos Silva, esse equilíbrio é assegurado através da conjugação de investimento tecnológico com uma expansão criteriosa das lojas e dos serviços. A MC aposta “nos formatos de proximidade e na omnicanalidade”, garantindo que os clientes têm sempre acesso fácil às soluções, “onde e quando quiserem”, sem perder a relação de confiança com as marcas.
A sustentabilidade é outro eixo central da inovação no retalho alimentar. Para o responsável, inovar com responsabilidade faz parte do compromisso da MC, que integrou objetivos claros de “ação climática, economia circular e oferta responsável”. Estes princípios orientam tanto o desenvolvimento de produtos como a transformação dos processos internos, assegurando coerência entre inovação, impacto ambiental e valor entregue ao consumidor.
Internamente, a inovação é promovida através de iniciativas estruturadas que estimulam a criatividade e a colaboração. Marlos Silva refere mecanismos como os prémios de inovação internos, que reconhecem o engenho e a ambição dos colaboradores, e iniciativas como o The Retail Hack, que mobilizam as equipas em torno de “desafios reais do retalho”. Estes programas permitem aproximar ideias do terreno, envolver diferentes áreas da organização e acelerar a transformação de propostas em soluções concretas.
PNI e a lógica de ecossistema
A parceria com o Prémio Nacional de Inovação enquadra-se nesta lógica de ecossistema. Segundo o responsável, juntar-se ao PNI foi um passo natural, uma vez que as parcerias da MC em projetos e programas de inovação têm como objetivo “acelerar a experimentação em ambiente real” e garantir que as soluções tecnológicas chegam ao mercado “mais rapidamente, com maior maturidade e menor risco de implementação”. Esse trabalho assenta também na existência de “um ecossistema de inovação forte”, onde universidades, centros tecnológicos e startups nacionais se juntam às grandes empresas para acelerar o desenvolvimento tecnológico em diversas áreas. Estimular esse ecossistema, premiando os melhores projetos e ideias no âmbito do PNI, é “uma componente importante deste nosso esforço”.
Marlos Silva identifica vários desafios para o retalho em Portugal. A rápida evolução tecnológica, as alterações nos padrões de consumo e as exigências crescentes de sustentabilidade obrigam a uma capacidade permanente de adaptação.
O foco da MC, explica, está em “antecipar tendências e reforçar a agilidade” para responder a estas transformações de forma consistente e sustentada.
Na avaliação de projetos inovadores, a MC valoriza iniciativas que “resolvem problemas reais”, apresentam “impacto mensurável” e adotam tecnologia de forma relevante, com impacto no bem-estar das pessoas e alinhamento com as prioridades estratégicas da organização. Estes princípios orientam o esforço da MC e a evolução das iniciativas em que participa no seu ecossistema de inovação. Para Marlos Silva, “o mais importante é manter o cliente no centro das decisões”.
Experimentar rapidamente, aprender com os erros e trabalhar em rede são, conclui, fatores determinantes para acelerar a inovação e gerar impacto sustentável num setor cada vez mais exigente e competitivo.