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Inovação abastece o motor da transição na Galp

Na Galp, a ligação entre tecnologia, execução e ecossistema está a construir o portefólio energético do futuro, garante Ana Casaca, diretora de Inovação da energética.

14:00
Ana Casaca destaca o papel da inovação contínua na aceleração da transição energética e na construção do portefólio energético do futuro.
Ana Casaca destaca o papel da inovação contínua na aceleração da transição energética e na construção do portefólio energético do futuro. D.R.
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“A transição energética só acontece com inovação contínua, tecnológica, mas também organizacional e operacional”, garante Ana Casaca, diretora de Inovação da Galp. A gestora defende que a área de inovação tem a responsabilidade de identificar e testar oportunidades que desafiem e concretizem a estratégia da empresa no caminho da descarbonização, com o objetivo de “contribuir para a construção do portefólio energético do futuro”. Hidrogénio verde, combustíveis sustentáveis, armazenamento e captura e utilização de CO2 são exemplos de áreas onde a Galp já está a investir, a pilotar e a cocriar com parceiros. “É a inovação que transforma a visão em soluções operacionais, reduz o risco tecnológico e acelera a passagem da ambição à realidade”, afirma Ana Casaca.

“Na Galp, a inovação e a sustentabilidade são indissociáveis”. A responsável explica que os laboratórios e projetos-piloto existem para desenvolver tecnologias que reduzam a pegada ambiental das operações e soluções que ajudem os clientes a descarbonizar, sempre com “métricas claras de eficiência, emissões e escalabilidade”. No contexto da transição energética em curso, a empresa tem vindo a fazer um caminho de transformação para responder aos desafios atuais e aos compromissos de descarbonização da economia e da sociedade. Esse alinhamento é assegurado por uma governação simples, com a inovação integrada nas prioridades estratégicas da empresa e nos objetivos concretos das unidades de negócio, em articulação com um ecossistema externo forte. Sem esse alinhamento, sublinha, “a inovação perde foco e impacto”.

Inovar não é improvisar, é criar condições para experimentar com intenção, aprender rápido e escalar o que funciona. Ana Casaca, diretora de Inovação da Galp

Ana Casaca afirma que a inovação se tornou um elemento central na estratégia da empresa porque deixou de ser uma opção. Num setor em transformação estrutural, explica, é hoje “condição para a competitividade, a resiliência e a criação de valor de longo prazo”. E acrescenta que na Galp “a inovação constrói o portefólio de oportunidades que sustenta a transição energética, ligando a estratégia, a tecnologia e a execução.”

Essa abordagem assenta num trabalho contínuo em ecossistema. Segundo a responsável, a Galp trabalha “lado a lado com reguladores, universidades, centros de investigação, aceleradoras, startups e parceiros tecnológicos e industriais”, porque é nesse contexto que “o conhecimento circula, ganha escala e se transforma em soluções reais”. A lógica é clara. Testar, aprender e, quando existe tração e alinhamento com o negócio, escalar. “A inovação funciona como uma incubadora interna de novas oportunidades”, mas sobretudo como “um motor de decisão estratégica, ligado às unidades de negócio”. Hoje, sublinha, “inovar na Galp é criar valor concreto e não um exercício periférico”.

Parcerias são estratégicas

As parcerias com startups e centros de investigação assumem um caráter estratégico. Na leitura da diretora de Inovação, “as startups trazem velocidade, foco e novas abordagens, a academia traz profundidade científica e as empresas garantem escala e capacidade de execução”. No último ano, a Galp colaborou com diferentes parceiros, do European Innovation Council à Fábrica de Unicórnios, acolhendo no Dia da Inovação da Galp startups de 11 países e lançando projetos-piloto em áreas como auditorias energéticas remotas, painéis solares avançados, V2X e armazenamento. Infraestruturas como o Retail Lab, em parceria com o Instituto Superior Técnico, ou o desenvolvimento de projetos com mais de 50 universidades são “fundamentais para aproximar a ciência, a tecnologia e o mercado”.

Os resultados dessa abordagem começam a ser visíveis. Ana Casaca sublinha que cerca de 45% das startups vencedoras em programas de inovação da Galp desenvolvem um piloto com a empresa e que aproximadamente 30% dessas soluções já são escaladas para o negócio. “É assim que se acelera e escala inovação com impacto real”, afirma.

A transição energética só acontece com inovação contínua, tecnológica, mas também organizacional e operacional. Ana Casaca, diretora de Inovação da Galp

Promover uma cultura de inovação numa empresa industrial de grande escala exige, ainda assim, intencionalidade. Para a responsável, essa cultura constrói-se criando “espaços, ações e ferramentas que permitam experimentar, cocriar e aprender”. Iniciativas como o Innovation Day, os desafios internos, as Innovation Talks bimensais, os Living Labs e os programas transversais promovidos pela Galp permitem que as equipas colaborem para além dos silos organizacionais e tragam problemas reais para serem trabalhados com startups, investigadores e especialistas. A cultura de inovação cresce quando as pessoas têm voz, autonomia para testar e clareza sobre os objetivos. “Inovar não é improvisar, é criar condições para experimentar com intenção, aprender rápido e escalar o que funciona”.

O setor energético enfrenta, contudo, desafios específicos em Portugal. Ana Casaca identifica obstáculos estruturais, desde a necessidade de acelerar infraestruturas, redes, armazenamento e digitalização, até à criação de modelos regulatórios que incentivem a inovação aberta e a integração de novas tecnologias e talento especializado. “As metas de descarbonização são ambiciosas e exigem investimento, coordenação e capacidade de execução. Mas são também uma oportunidade clara para que a tecnologia transforme os limites em possibilidades”. Segundo dados da Agência Internacional de Energia, cerca de 35% da redução de emissões necessária para a neutralidade carbónica ainda depende de tecnologias que não estão em escala comercial. Esse número tem vindo a diminuir, o que, na sua leitura, é um sinal claro de que o investimento em inovação está a produzir resultados. O desafio agora é escalar.

É necessário um ajustamento estratégico

Num horizonte futuro, Ana Casaca aponta como críticos os projetos que atuam sobre três vetores estruturais; segurança energética, custos competitivos e neutralidade carbónica. Estes objetivos já não podem ser tratados de forma isolada. A transição energética exige um ajustamento estratégico assente na resiliência, na diversificação de fontes e fornecedores e na redução de dependências críticas. “A energia deixou de ser apenas uma questão ambiental. É também uma questão de soberania industrial e competitividade económica”.

Nesse contexto, a diretora de Inovação da Galp destaca projetos ligados ao armazenamento de energia, como BESS, soluções híbridas e V2X, à descarbonização industrial, aos combustíveis sustentáveis, aos sistemas distribuídos e comunidades de energia e a plataformas de gestão energética para empresas e cidades. São tecnologias muitas vezes de uso dual, com aplicação civil e industrial, e com potencial para atrair investimento público e privado estruturante. “A diversificação assume um papel central, enquanto instrumento de resiliência e de redução de riscos sistémicos. Reforçar a base tecnológica e industrial europeia, alargando fontes, soluções e capacidades, é essencial para evitar dependências excessivas e garantir maior robustez ao sistema energético ao longo da transição”.

A energia deixou de ser apenas uma questão ambiental. É também uma questão de soberania industrial e competitividade económica. Ana Casaca, diretora de Inovação da Galp

Em relação ao posicionamento de Portugal na inovação energética, Ana Casaca considera que o país está bem colocado, com metas ambiciosas, elevada penetração de energias renováveis e um ecossistema académico e científico sólido. “O país construiu competências relevantes e capacidade instalada que o colocam numa posição favorável no contexto europeu”. O principal desafio está, no seu entender, em acelerar a transferência tecnológica e a escala industrial, reduzindo a distância entre investigação, demonstração e aplicação em mercado. Projetos como os Living Labs, as infraestruturas piloto e a colaboração com parceiros europeus mostram que o país tem condições para liderar nesta área, desde que continue a estimular investimento, atração de talento e parcerias internacionais.

A motivação da Galp para se associar ao Prémio Nacional de Inovação (PNI) insere-se nessa visão. Para Ana Casaca, o PNI promove a partilha de conhecimento, reforça a colaboração e celebra a inovação com impacto, criando um espaço de encontro entre empresas, academia e outras entidades do ecossistema. É nesse diálogo estruturado que se valorizam projetos que transformam o conhecimento em soluções concretas para os desafios do país.

A diretora de Inovação da Galp diz que concorrer a esta iniciativa é “assumir um desafio e escolher torná-lo visível”. É partilhar um caminho em construção, com abertura para ouvir, aprender e evoluir. A inovação ganha força quando se constrói em conjunto, com ambição e sentido de impacto. No essencial, conclui, “inovar é uma escolha consciente. Ao concorrer, as empresas escolhem colaborar e contribuir para a construção do amanhã”.

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