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Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Estruturar a inovação para transformar ambição em impacto

A inovação é central para a competitividade das empresas portuguesas, mas continua a enfrentar desafios na execução e no impacto económico. Para o FI Group, estruturar ideias e promover a colaboração é essencial para transformar ambição em resultados.

14:00
Bruno Colaço/Medialivre
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“Portugal vive hoje um momento particularmente interessante no domínio da inovação”, considera Paulo Reis, diretor-geral do FI Group Portugal. A justificação para este ‘momentum’ é o facto de as empresas estarem, no seu entender, “mais conscientes da importância da I&D para a sua competitividade, resiliência e internacionalização”, existindo um claro amadurecimento da ambição inovadora, “com cada vez mais organizações a reconhecerem a inovação não como um custo, mas como um investimento estratégico”. Ainda assim, sustenta Paulo Reis, há margem para evoluir na estruturação dos processos e na ligação entre inovação, mercado e impacto económico.

É precisamente nesse ponto que, segundo o responsável, a consultoria especializada desempenha um papel determinante, ao transformar intenção em ação. Paulo Reis explica que este trabalho passa por “estruturar ideias, alinhar projetos com a estratégia de negócio e enquadrá-los nos instrumentos de financiamento mais adequados”. No FI Group Portugal, esse apoio é feito numa lógica de parceria de longo prazo, ligando empresas, universidades, centros de investigação e entidades públicas, com o objetivo de “criar projetos colaborativos com impacto real e sustentável”.

O maior desafio já não está nas ideias ou no financiamento, mas na capacidade de executar bem os projetos. Paulo Reis, diretor-geral do FI Group Portugal

Quando analisa onde surgem as maiores dificuldades nos projetos de inovação, o diretor-geral é claro ao apontar a execução como o principal obstáculo. Na maioria dos casos, afirma, “as ideias existem e o financiamento também”, mas o desafio está em “transformar uma boa ideia num projeto tecnicamente sólido, financeiramente viável e bem gerido”. É aqui que, sublinha, “a metodologia, a experiência e a colaboração entre entidades fazem toda a diferença para reduzir risco e acelerar resultados”.

O potencial das tecnologias de dupla utilização

O panorama da inovação em Portugal revela-se também na diversidade de setores que hoje se destacam. Paulo Reis aponta áreas como tecnologias da informação, indústria avançada, energia, mobilidade, saúde, agroalimentar e aeronáutica como exemplos dessa dinâmica. Destaca ainda o potencial crescente das tecnologias dual-use, onde soluções desenvolvidas para o mercado civil encontram aplicação na defesa, segurança e resiliência estratégica. Trata-se, afirma, de “um eixo cada vez mais crítico no contexto europeu”.

Sobre os instrumentos públicos de apoio à inovação, o responsável considera que a evolução tem sido positiva. Estes mecanismos são, na sua perspetiva, “essenciais para mitigar risco e estimular o investimento privado em I&D”, permitindo às empresas “inovar mais e melhor”. O desafio atual passa, segundo Paulo Reis, por “simplificar processos, garantir previsibilidade e promover projetos verdadeiramente colaborativos”, com orientação clara para o impacto económico e tecnológico.

A inovação deixou de ser vista como um custo e passou a ser assumida pelas empresas como um investimento estratégico.
Paulo Reis, diretor-geral do FI Group Portugal

A integração da inovação na estratégia de longo prazo das empresas é outro ponto central da sua reflexão. Para o diretor-geral do FI Group Portugal, a inovação deve estar integrada na estratégia corporativa, “com objetivos claros, métricas definidas e envolvimento da liderança”. Não pode ser um exercício pontual ou reativo. “Quando alinhada com a visão de longo prazo, a inovação torna-se um motor de crescimento, diferenciação e criação de valor”, sobretudo quando assente em parcerias estratégicas e ecossistemas colaborativos.

A ligação do FI Group ao Prémio Nacional de Inovação insere-se neste compromisso com o ecossistema. Paulo Reis afirma que ser parceiro do PNI representa “um reconhecimento do papel ativo do FI Group no ecossistema nacional de inovação” e reflete o compromisso em “valorizar o talento, a tecnologia e a capacidade empreendedora das empresas portuguesas”. O objetivo passa por dar visibilidade a projetos “que moldam o futuro do país”.

Colaboração é essencial

Na avaliação dos projetos candidatos ao prémio, o responsável destaca critérios como “elevado grau de inovação, solidez técnica, impacto económico e potencial de escalabilidade”. A colaboração entre entidades, a ligação ao mercado e a capacidade de gerar conhecimento aplicável são igualmente valorizadas, incluindo no domínio das soluções dual-use, que cruzam inovação civil e aplicações estratégicas.

Quando olha para o ecossistema nacional de inovação, Paulo Reis afirma que gostaria de ver uma evolução no sentido de uma maior colaboração. Defende “maior articulação entre empresas, academia, centros tecnológicos, defesa e administração pública”, bem como a criação de pontes entre setores civis e de defesa, a partilha de infraestruturas e conhecimento e uma ambição internacional mais forte. Esses fatores são, na sua leitura, essenciais para posicionar Portugal como “um hub europeu de inovação estratégica”.

A mensagem final dirigida às empresas que ainda não estruturaram a sua estratégia de inovação é direta. Para Paulo Reis, “o primeiro passo é começar”. Estruturar uma estratégia de inovação não exige soluções excessivamente complexas, mas sim “visão, compromisso e os parceiros certos”. Apostar na colaboração, explorar oportunidades de financiamento e olhar para a inovação, incluindo a dual-use, como “uma alavanca de crescimento sustentável” é, conclui, essencial para garantir competitividade no médio e longo prazo.

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