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Notícia

Boas práticas contra a covid-19

Hospital de São João, Santa Casa da Misericórdia do Porto e Grupo Germano de Sousa são três dos vencedores dos Prémios Saúde Sustentável 2020 dedicado às Boas Práticas em contexto de covid-19.

Filipe S. Fernandes 17 de Novembro de 2020 às 12:45
O Hospital de São João, liderado por Fernando Araújo, foi premiado pelo projeto que lançou na primeira fase da pandemia de covid-19. David Cabral Santos
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O Hospital de São João começou a traçar a sua estratégia contra a covid-19 no início de fevereiro de 2020 com a criação de um gabinete de crise e os seus resultados acabaram por ser a referência para muitas decisões centrais e o modelo de organização para outras estruturas hospitalares. Também no Porto, a Santa Casa da Misericórdia, com mais de 500 anos de história respondeu a mais um desafio através de um conjunto de boas práticas para criar proximidade social na distância física, evitando, assim, o isolamento total dos idosos dos seus lares. Por sua vez o Grupo Germano Sousa reagiu e colocou os testes no centro como armas para combater a pandemia e articulou-se com várias parcerias para uma rede de 169 postos de recolha.

A dimensão da gestão, muito próxima do processo, permitiu um controlo adequado às necessidades. Fernando Araújo
Presidente do Centro Hospitalar Universitário São João 
Resultados em Saúde
A estratégia do São João na primeira vaga

Projeto: São João Covid-19
Entidade: Centro Hospitalar Universitário São João

A pandemia começou no Norte e o Hospital de São João foi a unidade que recebeu mais doentes e os mais graves de covid-19 durante a primeira vaga de pandemia. As vertentes mais relevantes do projeto foram garantir a resposta clínica a doentes com infeção por SARS-CoV-2 e manter a atividade programada para doentes urgentes; dotar o CHUSJ de circuitos dedicados, meios adequados e capacidade técnica diferenciada; envolver os profissionais e formar equipas específicas; e assegurar a dimensão da informação e da gestão, como fundamentais na plasticidade da resposta.

No centro da estratégia esteve o gabinete de crise que foi constituído no início de fevereiro, composto pela estrutura dirigente do CHUSJ, dos serviços clínicos e não clínicos, considerados prioritários na resposta imediata à covid-19. Em reuniões diárias, foi definindo e ajustando estratégias, de acordo com o conhecimento progressivo da doença, da dinâmica da epidemia e da variação das necessidades clínicas, estruturais e logísticas.

Como refere Fernando Araújo, presidente do Centro Hospitalar Universitário São João, "a dimensão da gestão, muito próxima do processo, ao nível das lideranças e com grande autonomia e flexibilidade, permitiu um controlo adequado às necessidades e uma adaptação única à evolução imprevisível da epidemia, mantendo o CHUSJ sempre adiantado em relação às complexas exigências deste processo".

A que se acrescentou o planeamento atempado e a utilização dos sistemas de informação que garantiram previsibilidade e alarmística, e foram determinantes na resposta e a divulgação da informação, interna e externa, o que permitiu manter uma ligação e envolvimento das pessoas, com clareza e transparência, transmitindo confiança aos profissionais e envolvimento nas prioridades estabelecidas.

Fernando Araújo sublinha que a área da logística, num quadro de insuficiência internacional de equipamentos e dispositivos médicos, "constituiu-se como um dos maiores desafios que tivemos de enfrentar e que poderia ter posto em causa toda a resposta da instituição. Mas foi sem dúvida a forma como os profissionais lidaram com este evento, com elevado profissionalismo e humanismo, com dedicação e generosidade, alinhados nas decisões e medidas adotadas e com enorme orgulho em pertencer ao CHUSJ, que fez realmente a diferença".

"Os resultados obtidos com a implementação deste projeto traduziram o desempenho global do CHUSJ, que foi referência para muitas decisões centrais e o modelo de organização para outras estruturas hospitalares", concluiu Fernando Araújo.


Escalabilidade
Criar proximidade social mantendo a distância física

Projeto: Medicina Social Scmp: 50 Tips de Saúde Sustentável em Situação de Pandemia nos Lares
Entidade: Santa Casa da Misericórdia do Porto

Álvaro Ferreira da Silva recebeu o prémio em nome da Santa Casa da Misericórdia do Porto.

Foi criada uma equipa multidisciplinar que envolveu a medicina social e nutricionistas, psicólogos, enfermeiros, profissionais de apoio operacional que através de um conjunto de boas práticas tornou-se possível criar proximidade social na distância física, evitando, assim, o isolamento total dos idosos e manter a sua proteção e prevenção aos efeitos pandémicos.

"O projeto destaca-se pela sua equipa multi e interdisciplinar, com recurso à utilização de canais fluidos de comunicação, interna e externa, que permitiram garantir a ampla implementação dos procedimentos definidos, com vista à concretização de um plano de ação sustentável, compreendido por todos os envolvidos, e promotor de elevados níveis de segurança", refere a Santa Casa da Misericórdia do Porto. Com 512 anos, esta instituição tem um colégio com 600 alunos, dois hospitais, um cirúrgico e um de foro psiquiátrico, quatro lares, uma quinta de Barca d’Alva e é o segundo senhorio da cidade do Porto.

Os resultados obtidos têm sido positivos, e, "estas práticas são, potencialmente, diferenciadoras e otimizadoras dos recursos existentes nas organizações, em contextos como o atual. Uma das características diferenciadoras deste projeto é a possibilidade de replicação por outras estruturas, internas e externas". Atualmente o projeto encontra-se implementado nas três estruturas residenciais para idosos da Misericórdia do Porto e no Lar Residencial para Pessoas com Deficiência/ Incapacidade.

"Os resultados felizmente têm vindo no sentido de proteger os nossos idosos e manter longe surtos e momentos de grande dificuldade no domínio do combate do covid-19. Várias equipas que se juntam para levarem conforto aos nossos idosos. Procurar, dar a conhecer ao país e aos profissionais de saúde e de outros equipamentos sociais que existe um caminho e que esse caminho é possível", disse António Tavares, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto.


Impacto Populacional
Uma rede nacional que já fez mais de meio milhão de testes

Projeto: Respostas do Centro de Medicina Laboratorial Germano de Sousa à pandemia de covid-19
Entidade: Centro de Medicina Laboratorial Germano de Sousa (Grupo Germano de Sousa)

Germano de Sousa lidera um grupo que já fez 550 mil testes de covid-19.

"O nosso projeto deveu-se à necessidade de lutar contra a pandemia e como somos médicos temos um dever ético de estar à disposição da população para combater esta tragédia que caiu em cima dos portugueses e do mundo", afirmou Germano de Sousa, presidente do Grupo Germano de Sousa, grupo de medicina laboratorial de capital totalmente nacional e constituído exclusivamente por médicos.

Acrescentou que "era fundamental criar condições com a maior rapidez, pôr o nosso laboratório a trabalhar para ter uma boa colaboração com todas as autoridades da saúde. As armas para combater a pandemia são os testes, como disse o diretor-geral da OMS, há que testar, testar, testar para combater o vírus".

Em termos práticos o grupo implementou respostas imediatas nas várias fases da pandemia desde a participação, em grande escala, na testagem da população, desde as fases iniciais da pandemia, a reestruturação e adaptação dos laboratórios através do investimento em novos equipamentos e reorganização dos seus recursos humanos, passando pelo acompanhamento dos doentes desde uma fase inicial da pandemia até ao trabalho com múltiplos parceiros na identificação de cadeias de transmissão e para o sucesso da resposta.

Ao mesmo tempo que garantia a rapidez e a qualidade dos métodos de testagem e a articulação com as autoridades de saúde, sem esquecer a preocupação e manutenção de todos os postos de trabalho do laboratório, apesar do fecho de parte significativa dos postos de colheita.

Atualmente tem centros de teste covid-19 em 78 concelhos do país, com 169 postos de colheita. Até à primeira semana de novembro tinham sido feitos mais de 550 mil testes, dez mil dos quais em lares de idosos, que representam 14,43% da testagem nacional e com um tempo de resposta para os testes: 21h34m. A taxa de positividade cumulativa desde início de pandemia é de 7,68%, representando 22,10% de todos os positivos detetados a nível nacional. A taxa de positividade de semana atual é 13,91%, a taxa de positividade desde início de novembro atinge os 14,43% e a taxa de positividade desde início de outubro foi de 11,81%.
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