«Financiamento: Taxa Fixa vs. Taxa Variável»
Quando se pretende contrair um financiamento a escolha da modalidade de taxa de juro é, obviamente, uma das características a definir, existindo normalmente duas opções:
- Taxa fixa: nesta modalidade fica determinado que ao longo da vida do empréstimo a taxa de juro será sempre a mesma, independentemente de quaisquer variações que possam ocorrer nos mercados monetário e financeiro, ou seja, é possível determinar à partida todos os outflows inerentes ao empréstimo.
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- Taxa variável: neste caso, é convencionado que a taxa de juro flutuará ao longo da vida do empréstimo. A fórmula mais corrente consiste no cálculo da taxa de juro com base numa taxa de referência que reflecte as variações verificadas nos mercados monetário e financeiro. Essa taxa de referência é designada por indexante, sendo normal a utilização de indexantes de curto prazo, nomeadamente do mercado monetário interbancário (ex. Lisbor 6 meses), mesmo quando o horizonte temporal do financiamento vai para além do curto prazo. O valor do indexante reporta-se muitas vezes ao dia imediatamente anterior ao início do período de contagem de juros, embora possam ser acordadas outras situações, como por exemplo uma média dos valores do indexante registados no último mês antes do início daquele período.
Em qualquer das modalidades referidas existem diferentes periodicidades que podem ser adoptadas na contagem de juros, embora as mais correntes sejam: mensal, trimestral, semestral ou anual.
No caso da taxa variável, há ainda a referir que a duração do período de contagem de juros deverá coincidir com o prazo que está associado ao indexante, por forma a minimizar o impacto de uma evolução desfavorável das taxas de juro. Por exemplo: se o período de contagem de juros for mensal, trimestral, semestral ou anual o indexante poderá ser, respectivamente, a Euribor 1 mês, a Euribor 3 meses, a Euribor 6 meses ou a Euribor 12 meses.
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Expectativas - curva das taxas de juro
Nos casos em que a empresa tem de saber à partida quais os pagamentos que terá de efectuar futuramente em relação a determinado financiamento, por necessidade de conferir um maior grau de certeza a projecções financeiras, ou por outro motivo, justifica-se a opção por um financiamento a taxa fixa, porque nesta modalidade os montantes de juros a pagar são estabelecidos no momento da contratação do financiamento, o que não se consegue com o financiamento a taxa variável.
Sendo a decisão de contratação de um financiamento efectuada sem conhecer os valores futuros das taxas de juro, a escolha entre taxa fixa e taxa variável tem que ser baseada em expectativas e, concretamente, na confrontação entre as expectativas da empresa que se vai financiar e as expectativas do mercado, de acordo com o seguinte diagrama:
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- Taxas esperadas pela empresa > Taxas esperadas pelo mercado: Taxa Fixa
- Taxas esperadas pela empresa < Taxas esperadas pelo mercado: Taxa Variável
- Taxas esperadas pela empresa = Taxas esperadas pelo mercado: Torna-se indiferente financiar-se a taxa fixa ou a taxa variável
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Gestão dinâmica do financiamento
Conforme se viu atrás, as expectativas da empresa quanto à evolução das taxas de juro são um elemento importante para a opção entre financiamento a taxa fixa ou financiamento a taxa variável. No entanto, tratando-se de expectativas existe sempre a possibilidade de a evolução das taxas de juro diferir das previsões, pelo que será imprescindível dispor de instrumentos que permitam, no decurso da vida do financiamento, alterar a estratégia inicialmente adoptada por forma a acomodar diferenças substanciais que possam surgir entre o cenário traçado e a realidade observada.
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É possível transformar um financiamento contratado a taxa fixa num financiamento a taxa variável, e vice-versa, utilizando swaps de taxa de juro. Os swaps juntamente com os forwards/futuros e as opções constituem o universo dos denominados produtos derivados, sendo os swaps os de criação mais recente (início da década de 80).
O swap mais comum é o swap de taxa de juro (IRS – Interest Rate Swap), que pode ser definido conceptualmente como sendo a realização simultânea entre duas entidades de dois empréstimos (ou duas aplicações financeiras) de idênticos montantes e maturidades, reembolsáveis de uma só vez no vencimento, constituindo a taxa de juro (na sua forma, periodicidade, ou processo de contagem) o único elemento diferenciador. O caso mais corrente é aquele em que uma das partes paga uma taxa fixa e a outra uma taxa variável. Na prática não existe troca de fluxos de capital uma vez que o montante e a maturidade são idênticos, havendo apenas permuta de fluxos de juros.
Os IRS tiveram um grande desenvolvimento, originando a criação de um mercado estandardizado a nível interbancário. As características essenciais em termos de estandardização das operações mais frequentes são as seguintes:
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- maturidade: em anos;
- taxa variável: Euribor 6 meses;
- taxa fixa: corresponde ao valor cotado (expresso em percentagem);
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- ramo fixo do swap: recebimento / pagamento anual;
- ramo variável do swap: recebimento / pagamento semestral;
- contagem de juros: actual/360
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Colaboração PME Investimentos
www.pmeinvestimentos.pt
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