Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 10 de maio de 2018 às 20:50

O zénite da corrupção endémica em Portugal

A corrupção é um imposto injusto que beneficia empresas menos eficientes, enriquece ilicitamente alguns decisores, mas que empobrece a economia e os cidadãos que pagam mais por piores serviços.

A corrupção em Portugal não foi inventada no governo de José Sócrates. É endémica e estende-se em várias camadas. À custa do dinheiro dos contribuintes criou-se uma cultura perversa de saque. Há quantos anos nos concursos públicos, nos fornecimentos de bens e serviços, não ganha o melhor candidato, o que oferece o melhor serviço, mas o que paga melhores comissões, ou que tem melhor conhecimento sobre como funciona o esquema.

Esta cultura empobrece o país, porque numa economia tão dependente do Estado, não há nenhum incentivo à eficiência.

Ao ganhar quem tem menos mérito, prejudica-se e, por vezes matam-se, as melhores empresas, empobrecendo a economia e limita-se o potencial de crescimento económico.

Por outro lado o Estado e os cidadãos ficam duplamente penalizados, porque pagam mais caro por um pior serviço. É que a corrupção que leva ao enriquecimento ilícito de decisores públicos é paga com juros no preço final. Nestes processos, o corruptor não abdica de gordas margens de lucro. Antes pelo contrário, a margem costuma ser maior, do que quando há total transparência e concorrência.

Esta cultura de corrupção endémica é velha e foi-se aperfeiçoando. A novidade no consulado de Sócrates é que atingiu diretamente o chefe de governo. Com o que se sabe da operação Marquês, da tragédia da PT e do desmoronamento do império Espirito Santo, fica-se com uma autópsia mais cruel do crime.

Com os casos em investigação ligados à operação Marquês, há indícios de que no governo de Sócrates se atingiu o zénite da corrupção, com o primeiro-ministro todo o poderoso, maioria absoluta no parlamento e uma justiça que fingia que investigava, e com um ataque sistemático aos jornalistas e órgãos de comunicação social que levantavam pontas do extenso véu de corrupção.

Agora que após a cisão entre o PS e Sócrates surgiram virgens de última hora a confessar que acreditaram na versão do antigo governante sobre uma falsa herança, convém ter memória para saber que um cidadão português medianamente informado sabia há muito tempo que o político que conseguiu vencer as legislativas de 2005 tinha um comportamento ético duvidoso e que só não foi atalhado antes do desastre total, porque a Justiça, não cumpriu o seu papel. Alguns responsáveis da máquina da Justiça olharam para o suspeito e ilibaram-no nas suspeitas das luvas milionários do Freeport e da Face Oculta, onde se revela o "modus operandi" de controlo total do Estado e dos negócios privados dependentes da bênção política.

 

Saldo positivo: alívio no endividamento

 

As famílias mais velhas estão a aproveitar a baixa das taxas de juros para amortizar mais rapidamente o crédito à habitação. Também estão a chegar ao fim os empréstimos do primeiro ciclo da corrida ao crédito, em finais da década de 90, o que significa que há dezenas de milhares de portugueses que vão ficar sem esse encargo mensal e com mais disponível. Por outro lado regista-se um endividamento recente de famílias mais novas que estão a aproveitar os juros baixos e a guerra dos spreads para comprar casa.

 

Saldo negativo: o censor Arons sem vergonha

 

Arons de Carvalho enviou um direito de resposta sobre um artigo publicado na semana passada. Mas mantenho o que escrevi: Arons foi um censor sem vergonha e sem escrúpulos ao serviço de Sócrates. Apesar das escutas em que aparece a ser pressionado pelo antigo primeiro-ministro, enquanto membro da ERC, não foi constituído arguido, nem se demitiu da entidade reguladora, como exigiria a ética republicana. É um dos cúmplices do caldo político que permitiu a Sócrates ser um dos donos disto tudo.

 

Algo completamente diferente: A grande conquista de Sérgio Conceição 

 

Após 4 anos de ausência de títulos, algo inédito nas últimas 4 décadas em que o FC Porto costumava ser dominante, o dragão volta a festejar a conquista do campeonato. E desta vez há um protagonista que merece destaque: Sérgio Conceição. Depois de gastar vários milhões em vão, os dragões viram-se obrigados a apertar os cordões á bolsa. O novo treinador foi obrigado a aproveitar a prata da casa desaproveitada e transformou esses ativos em ouro. Marega era emprestado, hoje é uma estrela, Ricardo confirmou o valor que se adivinhava e o capitão Herrera mostrou a sua raça. 

pub

Marketing Automation certified by E-GOI