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Stuart Reeve 22 de Abril de 2013 às 11:07

Desactivar a bomba-relógio das pensões

A nossa vida profissional já é suficientemente complicada, mas como será na reforma?

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A nossa vida profissional já é suficientemente complicada, mas como será na reforma? Há diversos factores erosivos que estão a ameaçar a nossa reforma e estes não se circunscrevem às questões de ordem financeira e aos movimentos dos mercados - prendem-se com os avanços da medicina e da tecnologia. A verdade é que a longevidade do ser humano representa um desafio - a possibilidade de sobrevivermos ao nosso capital conjugado com a inflação é uma ameaça real para a nossa reforma.


Enquanto um investidor médio passa a sua vida activa a poupar num período conhecido como "acumulação", é necessário agora darmos mais atenção à "desacumulação", ou seja, o período que se inicia quando alguém deixa de trabalhar e começa a gastar os seus bens acumulados.


Esta fase representa uma ameaça para os investidores, já que eles não têm a certeza de que as suas poupanças vão durar toda a reforma. Mesmo que as formas tradicionais de investimento para a reforma não tenham resistido à prova do tempo, existem novas estratégias de investimento que podem ajudar os investidores a alcançar uma aposentação próspera.


Existem factores que, apesar de apresentarem vantagens quando se acumulam, podem transformar-se em desvantagens ao entrarem na fase de desacumulação. Quando se poupa para a reforma, investir regularmente uma quantia definida leva a uma acumulação de capital (Euro cost averaging). Isto significa que um investidor compra mais unidades quando os preços estão baixos, e menos unidades quando os preços são elevados - beneficiando, desta forma, o indivíduo ao longo do tempo. Retirar um montante definido da sua reforma conduz ao inverso, portanto a uma desacumulação de capital (Euro cost ravaging). Os pensionistas, invariavelmente, tendem a vender mais unidades quando os preços estão em baixo e menos quando os preços estão em alta.


Na BlackRock acreditamos que os fundos geradores de rendimentos contribuem de forma significativa para uma reforma próspera, mas há vários fundos e diferentes tipos de rendimentos. Os rendimentos não são todos iguais.


As acções que distribuem dividendos estão a tornar-se um meio cada vez mais popular de criação de riqueza, uma vez que podem, actualmente, oferecer um rendimento atraente quando se calcula a inflação. Acreditamos que o foco deverá ser nos remuneradores de dividendos de alta qualidade, na medida em que podem oferecer uma fonte segura de rendimento durante a reforma, permitindo que os investidores paguem as suas contas sem terem de gastar o seu capital.


Estamos a falar de empresas que não só pagam bons dividendos, mas também têm perspectivas de crescimento sustentável e uma filosofia de compartilhar esse crescimento com os seus accionistas na forma de crescimento dos dividendos, oferecendo uma remuneração aos seus accionistas, ao longo do tempo.


Devido à natureza estável e mais resiliente destas empresas, a volatilidade deverá ser reduzida, em comparação com as acções tradicionais. Além disso, o crescimento consistente e sustentável dos lucros confere bastante espaço para a valorização do capital com o tempo, o que também é crucial perante a desacumulação. Esta abordagem ao investimento é uma maneira segura de capturar valor nos mercados de acções a longo prazo, ao conseguir um rendimento sustentável e de confiança.


A qualidade do dividendo é essencial. É por isso que o fundo se concentra em empresas de alta qualidade, com modelos de negócios sustentáveis e com capacidade financeira que podem manter políticas de dividendos robustas ao longo do horizonte de investimento. Ter baixa alavancagem financeira, em particular, é um factor-chave, uma vez que estas empresas tendem a navegar muito melhor na incerteza do mercado do que as suas homólogas altamente alavancadas. Além do mais, procuramos empresas com poder de fixação de preços, pois isso significa que conseguem ultrapassar as pressões inflacionárias para os seus clientes, manter margens sólidas e a geração de free cash-flows.


O país em que a empresa está domiciliada também começa a ser irrelevante. Muitas das nossas empresas não obtêm as suas receitas de um único mercado, mas globalmente têm fontes de receita diversificadas. As empresas têm, também, a capacidade de aceder aos mercados emergentes e de outras áreas de maior crescimento, utilizando os conhecimentos locais. Através de uma análise profunda da empresa, a nossa equipa potencializa a capacidade de uma empresa aumentar o seu cash-flow no futuro e de forma constante. Os lucros previsíveis oferecem visibilidade na avaliação e dão-nos confiança para adquiri-los por mais tempo. O último passo é seleccionar empresas empenhadas em distribuir dinheiro aos seus investidores, através de dividendos, bem como aumentar o valor do accionista, a longo prazo, fazendo crescer esses mesmos dividendos.


A preparação para a desacumulação não é fácil, e não existem respostas certas, nomeadamente qual o tipo de fundo de rendimento que deverá fazer parte do quadro geral do seu portefólio. A preparação e soluções tácticas podem ajudar a desactivar a bomba-relógio das pensões.

 


Gestor do BGF Global Equity Income
Fund da BlackRock

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