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Luís Todo Bom - Gestor de Empresas 14 de Abril de 2021 às 22:30

Anúncios, muitos; realizações, poucas; gestão, zero

Os grupos privados de saúde foram buscar ao SNS os melhores médicos e enfermeiros, mas não levaram um único administrador hospitalar.

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O país vive, há cinco anos, num processo de anestesia colectiva, suportada por uma avalancha de propaganda e anúncios, poucas realizações e nenhuma preocupação sobre a gestão das várias entidades públicas, envolvidas nestas acções de propaganda.

O modelo venezuelano em todo o seu esplendor!

Na área da saúde, o sector mais sensível para os portugueses, anuncia-se a compra de milhões de vacinas e milhões de euros para investimentos nos hospitais públicos.

A realidade desmente diariamente estes anúncios, as concretizações são irrelevantes e nada se diz sobre a melhoria dos processos de gestão logística, financeira, organizativa e operacional do SNS e das restantes unidades.

Os grupos privados de saúde foram buscar ao SNS os melhores médicos e enfermeiros, mas não levaram um único administrador hospitalar.

Estes anúncios megalómanos, que não correspondem a realizações significativas, verificam-se em, praticamente, todos os sectores públicos da sociedade portuguesa – ferrovia, rodovia, justiça, educação, portos, aeroportos, transportes,…

A bazuca europeia vai despejar dinheiro em todos estes sectores, sem critérios de racionalidade e sem garantias de rentabilidade dos fundos utilizados.

Preocupações sobre a sua gestão, sobre a necessária análise custo–benefício, nem uma palavra.

E percebe-se porquê.

A redução das competências de gestão dos novos dirigentes da administração pública é muito preocupante, fruto das habilidades recentes de todos os ministros deste Governo.

O ministro coloca, em regime de substituição, durante um ano, um boy socialista, adjunto do seu gabinete, sem habilitações académicas e currículo significativo para o lugar que vai ocupar.

Ao fim dum ano, abre concurso, em que é seleccionado este adjunto, porque, entretanto, ganhou currículo naquela área.

A CRESAP, Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública, tornou-se, neste processo, a anedota nacional, pela sua cumplicidade objectiva nesta fraude.

Há um enigma a que não consigo responder.

Porque é que os dirigentes da CRESAP continuam a aceitar a sua humilhação e a dos dois idiotas úteis, que integram a lista final de três candidatos elegíveis, e não decidem ignorar, para efeitos de análise curricular, assegurando uma situação de igualdade com os restantes candidatos, o período de tempo exercido em regime de substituição?

Com os mais altos dirigentes da administração central seleccionados deste modo, a gestão da bazuca europeia vai ser um desastre.

Vai verificar-se o que ocorreu, no passado, com os fundos provenientes da Europa, que não conduziram a nenhuma alteração significativa do perfil económico do nosso país.

Ignorando, olimpicamente, o apoio às empresas privadas, as únicas entidades que criam riqueza para o país.

Com implicações graves para todo o nosso tecido empresarial e para o crescimento económico e social do nosso país.

Sacrificando, uma vez mais, as gerações futuras.

 

Os grupos privados de saúde foram buscar ao SNS os melhores médicos e enfermeiros, mas não levaram um único administrador hospitalar.
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