Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 02 de dezembro de 2018 às 15:35

Desenvolvimento empresarial: focus e prioridades

Angola atravessa uma crise económica profunda, com uma recessão em que o PIB não cresce há 3 anos consecutivos e a dívida pública aumenta, atingindo já 71% do PIB.

Apresentei, recentemente, no âmbito das realizações da UCCLA - União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, uma conferência intitulada "Desenvolvimento Empresarial de Angola: Um Programa Focado e Prioritário".

 

Angola atravessa uma crise económica profunda, com uma recessão em que o PIB não cresce há 3 anos consecutivos e a dívida pública aumenta, atingindo já 71% do PIB.

 

Com uma população da ordem dos 30 milhões de habitantes, muito jovem, a crescer a um ritmo de 1 milhão por ano, e um PIB per capita inferior a 4000 $USD, Angola precisa de apresentar ritmos de crescimento elevados, superiores a 7% ao ano.

 

Só é possível atingir esse objectivo com um programa de desenvolvimento empresarial focado e prioritário, seleccionando as áreas onde se deve concentrar o investimento produtivo nos próximos anos.

 

Na minha visão, esse programa deve focar-se, nos próximos 3 anos, de 2019 a 2022, em 4 áreas específicas:

 

-Maximizar as receitas de divisas provenientes do petróleo, através dum programa de reestruturação profunda da Sonangol, que se deve concentrar no seu core business e promover um plano de redução de custos exigente.

 

- Atingir a auto-suficiência alimentar, criando novas unidades agrícolas e pecuárias, de grande e média dimensão, e um programa logístico de recepção, transporte e distribuição de alimentos.

 

- Criar empresas nacionais, de razoável dimensão, eficientes e rentáveis, através dum processo de privatizações de empresas públicas e empresas participadas pela Sonangol.

 

- Atrair grandes empresas internacionais para projectos estruturantes de perfil exportador, através de acções dirigidas de captação de investimento estrangeiro.

 

Numa 2ª fase, de 2022 a 2025, Angola poderia desenvolver projectos empresariais nas seguintes vertentes adicionais:

 

- Agro-indústria, tirando partido da sua estrutura primária, agrícola e pecuária.

 

- Turismo internacional e actividades exportadoras, em áreas desenvolvidas na 1ª fase do programa.

 

À semelhança de Angola, é minha convicção que se deveria desenvolver, também em Portugal, um programa de desenvolvimento empresarial focado e prioritário.

 

Este programa devia concentrar-se em unidades de média dimensão europeia, tecnologicamente evoluídas, produzindo bens transaccionáveis para mercados exigentes e com um perfil exportador, considerando-se como objectivo a atingir, um volume de exportações da ordem dos 60% do PIB.

 

Este objectivo exigirá a identificação das áreas onde Portugal detém vantagens competitivas e um programa de atracção de investimento estrangeiro dirigido, privilegiando alianças estratégicas com empresas portuguesas.

 

Infelizmente, não é este o caminho que tem sido seguido.

 

Não há "estratégia", nem "focus", nem "prioridades".

 

Continuaremos, assim, com um crescimento anémico entre 1 e 2 % do PIB, muito abaixo dos outros países europeus com uma estrutura económica semelhante à nossa.

 

Gestor de Empresas

pub