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Manuel Falcão - Jornalista 20 de Fevereiro de 2015 às 10:12

A esquina do Rio

O grande problema da burocracia e dos burocratas é que substituem a inteligência pela obediência, a análise de situações pelas regras, e ignoram o que é o mais elementar bom senso, algo que devia estar sempre na preocupação das pessoas

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Não há nada pior que a estupidez agressiva.

Goethe

 

 

Bom senso

O grande problema da burocracia e dos burocratas é que substituem a inteligência pela obediência, a análise de situações pelas regras, e ignoram o que é o mais elementar bom senso, algo que devia estar sempre na preocupação das pessoas - porque é a base mínima para nos conseguirmos entender uns com os outros. Peguemos no caso dos sacos de plástico.
Eu sou obviamente a favor de medidas que protejam o ambiente e combatam a poluição - mas elas devem ser feitas com bom senso e devem ser preparadas por forma a captar simpatia em vez de repúdio. O caso dos sacos de plástico do ministro Moreira da Silva tem um equivalente, em matéria de falta de bom senso, no caso da circulação de automóveis anteriores a 2000 na cidade de Lisboa e arrisco dizer que o grande ponto comum entre Moreira da Silva e António Costa é falta de bom senso. Peguemos agora no caso das multas sobre pagamentos ao Estado que se atrasam, como o caso das portagens de meia dúzia de euros que facilmente chegam às largas centenas (e que os tribunais têm estado a considerar inválidas). Só a mais completa falta de bom senso justifica que a cobrança coerciva chegue a estes absurdos - mas isto é comum no fisco português, que criou mecanismos de automatismo que executam penhoras ou mantêm avisos de dívida mesmo depois de as multas serem pagas ou as dívidas liquidadas.
A falta de bom senso por parte dos organismos do Estado e seus responsáveis anda geralmente de braço dado com abuso de autoridade e a falta de respeito pelos cidadãos. Estou quase a acreditar que a primeira coisa que ensinam a quem tem poder é como abusar dele. O Estado português está cheio disso e o mais engraçado é que não vejo nenhuns políticos preocupados com o mau uso do poder que lhes cai nas mãos.

 

 

Semanada

• Investimento alemão em Portugal cresceu 37,8% em 2014  o investimento estrangeiro dos 28 países da União Europeia em Portugal caiu 140,3% nos primeiros 11 meses de 2014 face ao mesmo período do ano anterior  em contrapartida, o investimento dos países extra UE aumentou 589,8% no mesmo período  em Janeiro, foram registados quase 12 mil novos veículos automóveis  a JSD admite avançar com uma proposta de legalização da prostituição  em 2014, o número de funcionários públicos baixou, mas aumentou o dos gabinetes governamentais  o emprego no Estado caiu cerca de 10% nos últimos três anos  Portugal continua a ter o quinto maior défice da União Europeia  o crédito automóvel cresceu 33% em 2014  em 2013, havia 264.000 explorações agrícolas em Portugal, menos 40.800 do que em 2009, mas a área cultivada não teve variação significativa  as receitas dos hotéis portugueses cresceram 12,8% em 2014  no município de S. João da Madeira, o mandarim é disciplina curricular no 1º ciclo e facultativa no 5º ano, um projecto que envolve 669 alunos  na semana de estreia, o filme "As 50 Sombras de Grey" foi visto por 160.830 espectadores  o governo da Guiné Equatorial quer encontrar uma forma de se associar ao Benfica e tem estado em conversações com dirigentes do clube sobre essa possibilidade  António Costa está desde Outubro a comandar os destinos dos socialistas mas, apesar de as sondagens lhe darem o primeiro lugar, o PS está em queda desde há quatro meses  desde o final de 2013, registam-se pelo menos uma vez por ano demissões em bloco de responsáveis médicos do hospital Amadora-Sintra, invocando perda de condições de qualidade na assistência aos doentes  na última semana, o tema dominante das notícias na informação televisiva foi o Carnaval e os seus festejos.

 

 

Dixit

Espero que brevemente o país retome a liberdade de poder festejar o Carnaval.

Afirmou António Costa, defendendo o regresso da tolerância de ponto se vencer as eleições

 

 

Folhear

Chama-se "Machinas Fallantes" e é uma deliciosa história sobre a música gravada em Portugal no início do século XX. O livro, da autoria de Leonor Losa, uma investigadora de etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa, recupera a história das primeiras tecnologias de gravação e reprodução de som do final do século XIX, conta a popularização dos gramofones no início do século XX e a maior vulgarização da música gravada nos anos 30. Pelo caminho ficam histórias de artistas, de autores, do teatro de revista, de repertórios populares e eruditos, das primeiras editoras discográficas portuguesas, como a Valentim de Carvalho.
O livro recupera muitas imagens - ilustrações e fotografias - pouco conhecidas e algumas mesmo raras, e está escrito de forma rigorosa, mas com a história dessa aventura que é a música gravada e o desenvolvimento da música popular portuguesa. Amplamente documentado, é sobretudo cheio de informações pouco conhecidas relativas aos primeiros 50 anos do século passado - como aliás o título indica. A edição inclui um CD com duas dezenas de gravações históricas, quer de canções de revista, quer de gravações raras como o "Fado de Coimbra" pelo próprio autor Reinaldo Varella e algumas canções populares. A edição é da Tinta da China.

 

 

Gosto

O ritmo de crescimento do turismo português em 2014 foi mais de três vezes superior ao de Espanha.

 

 

Não gosto

Enquanto faltam médicos em Portugal, o número de portugueses que foi estudar medicina para o estrangeiro aumentou 90% nos últimos anos e, desses, nem metade regressou ao país.

 

 

Ver

O espaço Novo Banco, antigo BES Arte, no Marquês de Pombal nº3, voltou a ter uma exposição pela primeira vez desde o ciclone que varreu a instituição. É uma amostra da colecção de fotografia criada ao longo dos anos pelo BES, e que agora pertence ao Novo Banco.
A exposição, que é de entrada gratuita e está aberta de segunda a sexta entre as 09h00 e as 19h00, inclui obras de Nan Goldin, Marina Abramovic, Martin Parr, Cindy Sherman, Irving Penn, mas também Julião Sarmento, Helena Almeida, João Penalva e Vasco Araújo, entre outros, e permite estabelecer uma ideia aproximada da instabilidade da colecção. Outras sugestões: "Desenhos", de Helena Almeida, na Galeria Filomena Soares, Rua da Manutenção 80, a Xabregas; a colectiva "Pintura Modernista" na Colecção Millennium BCP, Galeria Millennium, Rua Augusta 96; "Como Se Pronuncia Design Em Português", no MUDE, Rua Augusta 24; e, para terminar, com fotografia, uma exposição de Tito Mouraz, que esteve nos Encontros de Imagem, de Braga, a "Casa das Sete Senhoras", na imagem, que está na Galeria Módulo, Calçada dos Mestres 34.

 

 

Ouvir

O pianista Kenny Barron (71 anos) e o baixista Kenny Barron(68 anos) começaram a tocar em duo em 2012 e têm realizado numerosos espectáculos que incluem quer versões de standards do jazz, quer temas originais dos dois músicos - e cada um deles tem carreira própria recheada de referências Barron mais tradicional, Holland mais exuberante. Em 2014 entraram em estúdio para gravar uma selecção do repertório que tocaram nesses espectáculos e daí saiu o CD "The Art Of Conversation".
Inclui dez temas (três de Barron, quatro de Holland, um de Charlie Parker, outro de Thelonious Mon e outro do trio Duke Ellington, John La Touche e Billy Strayhorn). O nome do álbum reflecte bem a capacidade de diálogo e de entendimento musical entre os dois músicos, o à vontade com que interpretam os standards, com respeito pelos originais mas também com o sentido de inovação que ambos sabem imprimir às suas interpretações. Quer Barron quer Holland são virtuosos, atentos ao detalhe, e ambos, sente-se, respeitam-se mutuamente. É um bom exemplo de junção de talentos e de criatividade. CD Impulse.

 

 

Arco da velha

350 agentes da Unidade Especial de Polícia estão desde há um mês a tomar banho de água fria após os treinos diários, na sequência de uma avaria na caldeira das instalações que usam, na Ajuda.

 

 

Provar

A nova pizzaria Forno d'Oro, onde antes era o Mezzaluna, é mais um restaurante do nepalês que tem multiplicado o seu talento em alguns restaurantes da cidade. Chama-se Tanka Sapkota e desta vez estudou a fundo a arte da pizza, encomendou um forno de Itália, uma máquina para bater a massa que a torna leve e fofa, e escolheu uma selecção de ingredientes em que muitos são raridades nas pizzarias de Lisboa - como as túbaras, um tubérculo português que ainda será aparentado com as trufas. O forno, com nove toneladas, foi construído no local por uma empresa de Nápoles, que trouxe a pedra vulcânica e todos os outros materiais, e foi forrado a folha de ouro - daí o nome dado ao restaurante. O precioso forno é alimentado a lenha de carvalho e cada pizza fica lá dentro 70 segundos. O que ali se serve é a pizza napolitana, de massa leve mas não fininha, sem exageros de tomate e queijo e com combinações interessantes de outros ingredientes. O resultado é uma pizza mais leve que o habitual. Uma boa surpresa é uma carta e cervejas artesanais, muitas italianas, mas também de outras zonas do mundo e de Portugal. O serviço é muito bom e a boa disposição é reinante. À saída, e perante um pedido de isqueiro para uma fumadora, o chef trouxe à porta, numa pá de pizza, pequenas brasas do forno que serviram para acender o cigarro pós-prandial. Não podia ter terminado de melhor forma esta estreia. Forno d'Oro, Rua Artilharia 1- 16 B, telefone 213 879 944.

 

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