A TAP não está... vem
Bons princípios de gestão devem nortear a administração da TAP, pelo que a permanente ingerência e indefinição sobre quem tem o poder não ajuda nem a empresa, nem o país. O ruído é ensurdecedor...e mau conselheiro.
A FRASE...
"A TAP deve corrigir o plano para corresponder aos legítimos interesses nacionais e internacionais em apreço."
José Luís Carneiro, Expresso, 26 de maio de 2020
A ANÁLISE...
O título desta crónica é para ser lido com a pronúncia do Norte (para os mais distraídos: "a TAP não está... bem"). Não é de agora, é desde sempre. Há anos que a companhia aérea abandonou o aeroporto do Porto, mesmo quando se tratava de uma empresa de bandeira do Estado português. A conectividade externa do Norte sempre dependeu mais da iniciativa privada do que dos poderes públicos sediados em Lisboa.
O reforço da presença da TAP no aeroporto do Porto nos últimos anos seguiu – e bem – a racionalidade estratégica de qualquer empresa privada: onde há procura, há oferta. Os mercados têm horror do vazio e não me lembra, no que ao Norte diz respeito, que a TAP tenha sido pioneira na criação de novas rotas e mercados. Talvez porque os custos de entrada fossem demasiado elevados, ou porque, com idêntica razoabilidade, o tamanho da oportunidade nunca encontrou justificação no modelo de negócio e estrutura de custos.
Agigantam-se as vozes contra o plano de reabertura de rotas da TAP, fustigando mais uma vez o Porto e o Norte. Mais parece o terceiro ato planeado da opereta sobre a "estatização da TAP", a antecipar a derradeira tomada de controlo e nacionalização, mesmo ao cair o pano. Sou utente assíduo do aeroporto do Porto e nunca a conectividade oferecida pela TAP foi elemento digno de registo. Justificar o apoio público com a indignação das gentes do Norte? Não, obrigado, não me incluam nesse movimento!
Compensem, sim, a TAP pelos prejuízos a que foi forçada pela paragem das operações e pelas verdadeiras (i.e., solicitadas) obrigações de serviço público. Olhando hoje para as rotas aéreas a partir do Porto, alguns privados já tomaram a dianteira na oferta. Regressando a normalidade, virá o resto. Se queremos antecipar outros circuitos, que tal pôr a concurso a oferta "temporária" do que se considera ser serviço público? Talvez saia mais barato!
Historicamente, a oferta da TAP em rotas sem concorrência tem sido, em todos os níveis de comparação, mais cara para as gentes do Norte. Bons princípios de gestão devem nortear a administração da TAP, pelo que a permanente ingerência e indefinição sobre quem tem o poder não ajuda nem a empresa, nem o país. O ruído é ensurdecedor...e mau conselheiro.
Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.
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