Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
António Nogueira Leite - Economista 17 de Agosto de 2020 às 19:44

A dívida que nos persegue

Neste contexto e com a perspectiva cada vez mais real do que já está em desenvolvimento nas economias europeias, a atenção de “policy makers” e reguladores ao sector financeiro deverá, para bem de todos, ser mais produtiva, atempada e eficaz do que na crise precedente.

  • Assine já 1€/1 mês
  • 3
  • ...

A FRASE...

 

"Pandemia põe milhões de europeus a caminho da crise de dívida."

Jornal de Negócios, 16 de Agosto de 2020

 

Já se antecipava e muitos já sabiam: as consequências da pandemia sobre as economias europeias levarão a um aumento significativo do desemprego no curto prazo e porão em causa o funcionamento de muitas empresas, não apenas as que estão nos sectores mais atingidos mas, de uma forma geral, as que já se encontravam em situação menos sólida no início de 2020. Estes problemas são uma das muitas ameaças à recuperação económica dos efeitos do coronavírus, na medida em que afetam a capacidade de recuperação dos agentes económicos após o esperado controlo da epidemia. Vários estudos apontam mesmo para o aumento do risco de instabilidade financeira em resultado do aumento dos incumprimentos e insolvências, com consequências nefastas sobre o crescimento económico e o próprio serviço das dívidas.

 

Na Europa, em resultado da crise financeira de 2008 e das crises de algumas dívidas soberanas após 2010, registaram-se impactos muito significativos sobre o sistema bancário, afectando a sua rendibilidade de uma forma geral, afastando o interesse de muitos investidores no sector e conduzindo a vários tipos de intervenções públicas e regulatórias nos países mais afectados como, especial mas não exclusivamente, Espanha, Itália, Grécia, Irlanda e Portugal. Complementarmente, os bancos procederam à venda de muitos activos a investidores com outro perfil de risco, mais de 800 mil milhões, só na zona euro, nos últimos cinco anos. Quando a crise pandémica chegou em Fevereiro, a banca europeia estava ainda bastante abaixo da sua rendibilidade histórica, com muito do legado da anterior crise ainda não totalmente resolvido.

 

Neste contexto e com a perspectiva cada vez mais real do que já está em desenvolvimento nas economias europeias, a atenção de "policy makers" e reguladores ao sector financeiro deverá, para bem de todos, ser mais produtiva, atempada e eficaz do que na crise precedente. Falo da Europa, pois em Portugal esta discussão será impossível. Felizmente, pertencemos à União Europeia.

 

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias