Os financeiros derivados
"Muitos dos financeiros que inflacionaram a bolha especulativa não eram loucos nem maldosos (como são vistos pela opinião comum), mas sim atingidos pelas deficiências da visão em túnel e do pensamento de grupo".
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Gillian Tett, "How bankers believed their own hype", in Financial Times, 22 de Março de 2013
Três economistas de Princeton (Ing Haw Cheng, Sahil Raina e Wei Xiong) analisaram um grupo de 400 operadores financeiros especializados em produtos derivados no sector do imobiliário, trabalhando em bancos como Citigroup, Lehman Brothers e Wells Fargo, estudando o que foram as operações que fizeram em seu próprio nome, para avaliar se tinham perdido ou ganho com essas operações pessoais.
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Para interpretar esses resultados comparam um grupo de 400 advogados e de 400 operadores do mercado financeiro que não estavam envolvidos no sector imobiliário, estabelecendo também para eles o que foram os ganhos e perdas nas suas aplicações de capital pessoais. Concluíram que os peritos do mercado imobiliário e dos produtos derivados perderam mais do que os grupos de controlo.
É cómodo culpar os mal-intencionados, até que se verifica que eles foram os primeiros a queimarem-se nos fósforos que acenderam: prejudicaram os clientes e as economias, mas arderam mais nessas fogueiras do que aqueles que não entraram no rebanho conduzidos por pastores cegos. Os produtos financeiros derivados eram como células cancerosas: quanto mais se dividiam para reduzir o risco mais o tumor crescia.
Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.
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