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Paulo Carmona 09 de Junho de 2020 às 09:20

Folclore e pragmatismo

Para os menos atentos é bom recordar que o PS foi o partido que mais austeridade aplicou em Portugal, mais vezes pediu ajuda externa (FMI e troika), mais privatizou e mais envolvido esteve em negociatas e apoios a grupos privados, mais, não o único.

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A FRASE...

 

"Governo quer fomentar aquisições e fusões de PME e dá benefícios fiscais"

 

Jornal Económico, 7 de junho de 2020

 

A ANÁLISE...

 

Apesar de toda a retórica para encantar a esquerda fundamentalista, o Governo sabe que a chave da recuperação económica tem de se fazer pelas empresas. Muitas das medidas apresentadas vão nesse caminho, apesar de outras insistirem num Estado omnisciente e omnipotente. No essencial, para lá dessas medidas de folclore, o caminho é de apoio fiscal às empresas, à sua recapitalização, regeneração, reconfiguração e a tão desejada criação dum verdadeiro Banco de Fomento. Algumas medidas poderão ser copiadas das propostas do CEN do PSD, num excelente trabalho de Joaquim Miranda Sarmento, ou apenas do domínio público do bom senso e razoabilidade. Aqui se notará a marca de Pedro Siza Vieira, uma mente brilhante, já provada no setor privado e que, ao abandonar uma remuneração quase milionária por um parco salário de ministro, mostrou um sentido de dever público que deveria inspirar outros. Isto para não falar da muito competente equipa do Ministério das Finanças que, apesar de algumas maldades e cortes cegos, lá foi gerindo perfeitas idiotices como a baixa do IVA da restauração e as 35 horas na função pública. Qualquer um, e PSV também, teria lugar em qualquer governo responsável à direita do Bloco de Esquerda e PC. E também a contratação de António Costa e Silva que, apesar do seu ego, é bastante inteligente e conhecedor da realidade empresarial, qualidades pouco comuns entre os membros do atual Governo.

Ou seja, um PS que na sua essência segue os ensinamentos de Mário Soares para o partido charneira do sistema, governar à direita enquanto pisca o olho à esquerda, mas sem nunca questionar as regalias e os direitos do seu eleitorado de base, os funcionários e dependentes do Estado. Para os menos atentos é bom recordar que o PS foi o partido que mais austeridade aplicou em Portugal, mais vezes pediu ajuda externa (FMI e troika), mais privatizou e mais envolvido esteve em negociatas e apoios a grupos privados, mais, não o único. Sendo um partido de poder fará o necessário para manter esse poder. O necessário agora é apoiar as empresas, como tem sido nos últimos seis anos a austeridade, disfarçada de equilíbrio das contas públicas. Seja PS, PSD ou CDS, que se faça bem…

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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