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Pedro Santos Guerreiro psg@negocios.pt
03 de Setembro de 2009 às 11:40

Asfixia democrática?

Há asfixia democrática em Portugal, como acusa Manuela Ferreira Leite? As pessoas têm medo de falar contra Sócrates? Que pessoas?

Há asfixia democrática em Portugal, como acusa Manuela Ferreira Leite? As pessoas têm medo de falar contra Sócrates? Que pessoas?

É claro que ninguém tem medo de dizer mal do primeiro-ministro na rua nem baixa as persianas de casa quando questiona o Partido Socialista. A Pide morreu e a censura está enterrada: pessoas como eu podem escrever livremente textos como este; pessoas como Pina Moura podem discordar publicamente de José Sócrates.

Mas há quem tenha medo e faça auto-censura. E há ameaças de represálias. Ferreira Leite foi pouco específica, mas subentende-se que falava daqueles que trabalham ou têm relações com o Estado: a Administração Pública, as empresas públicas, as empresas privadas que, numa economia tão estatizada, dependem de uma licença, autorização ou beneplácito do Governo.

Vários casos de represálias foram sendo tornados públicos. Do processo disciplinar da DREN a um professor que faz piadas de mau gosto, a Paulo Azevedo que assume que a Sonae perde negócios por causa da linha editorial do "Público".

Deixemos a imprensa de lado, nisso somos suspeitos. Cada um sabe de si e decide se quer ter a atenção e as atenções dos poderes políticos. Falemos antes de como se fazem negócios em Portugal.

Mas o Governo, o Estado, os partidos, não são os únicos responsáveis. Só é asfixiado quem é cúmplice, quem é dependente ou quem é cobarde. Se aqueles que ajudam Ferreira Leite no PSD pedem para não ser identificados, são uma dessas três coisas: cúmplices, dependentes ou cobardes.

O problema não é só a dimensão do Estado, é a atitude privada perante ele. A concentração do poder não é uma maquinação do primeiro-ministro, esse poder é-lhe dado pelos empresários, diligentes em prestar vassalagem a qualquer novo inquilino de São Bento. Não há negócio em que não se vá pedir benção ao Governo! E é esse circuito fechado, de um poder político retaliador mas efémero e de empresários medrosos mas perenes, que perpetua o ciclo que prejudica a economia, as empresas, a concorrência, os consumidores - e os contribuintes.

Fernando Mamede dizia que só tinha medo de ter medo. Quem tem medo do Lobo Mau vê-o em cada cachorro. Sim, o Estado é retaliador, sim há um clima de desrespeito pelo livre funcionamento da economia, da igualdade de oportunidades entre as empresas, da liberdade de crítica e de imprensa. Nunca foi tão mau? Enquanto a sociedade se amochar, será cada vez pior. Ganhe Sócrates, ou ganhe Ferreira Leite.

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