A crise de 2026 e a vingança da geografia
A crise de 2026 não se limitou a perturbar as rotas comerciais e a fazer subir os custos da energia, mas até está a redefinir o campo de jogo da economia global. Longe de ter sido ultrapassada pela tecnologia, a geografia está a reafirmar-se como o quadro que define as decisões comerciais, políticas e económicas.
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O dia 28 de fevereiro de 2026 ficará marcado nos anais da história económica como o momento em que a arquitetura do comércio global, aperfeiçoada ao longo de décadas para maximizar a eficiência de custos, ruiu sob o peso de uma realidade física inescapável. O que começou como conflito regional no Médio Oriente, transformou-se num triplo choque sistémico, com o encerramento efetivo do estreito de Ormuz, a instabilidade no corredor do mar Vermelho e os enormes distúrbios nos centros de aviação e logística fundamentais do Golfo. Atualmente, a economia global não enfrenta apenas uma crise energética; também é forçada a confrontar a validação da tese popularizada por Tim Marshall na sua obra seminal de que continuamos a ser “prisioneiros da geografia”.
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