A Europa tem energia a mais?
O paradoxo do “excesso de energia” é, em última análise, um argumento a favor de aproximar a produção e o armazenamento do local onde a energia é, efetivamente, utilizada. Modelos como as Comunidades de Energia já são e devem ser, cada vez mais, a alavanca para a mudança.
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Os mercados grossistas de eletricidade da Europa registam, cada vez mais, preços spot perto de zero ou mesmo negativos, uma vez que em dados momentos a produção de energias renováveis ultrapassa a procura em determinados horários. Tome-se o exemplo da Alemanha, que tem um mercado sofisticado, composto por um grande número de comercializadores e consumidores. No dia 1 de maio, com sol forte, ventos intensos e baixa procura devido ao feriado, o preço grossista caiu para menos 499 euros por MWh, perto do limite mínimo de menos 500 euros do mercado. Como a energia solar e eólica produzem a custo marginal quase nulo sempre que o sol brilha e o vento sopra – não necessariamente quando os consumidores precisam de energia –, os produtores podem ter de pagar para absorver o excedente. Se não for resolvida, esta situação enfraquece a justificação económica para novos investimentos em energia limpa precisamente quando estes precisam de acelerar.
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