Mas nós somos donos do dinheiro?
Confesso que gosto de Seguro. É um político honesto e isso é cada vez mais uma raridade. O problema é que Seguro chegou à liderança do PS no momento errado e, mais grave, com a equipa errada. E isso condiciona-o.
Confesso que gosto de Seguro. É um político honesto e isso é cada vez mais uma raridade. O problema é que Seguro chegou à liderança do PS no momento errado e, mais grave, com a equipa errada. E isso condiciona-o.
O último problema de Seguro chama-se execução orçamental, ou melhor a mini-derrapagem das contas Públicas. O secretário-geral do PS está farto de saber que o seu partido não se pode furtar ao cumprimento do programa de ajustamento. Mesmo que isso implique mais austeridade. No entanto, para acomodar a ala socrática, anda numa fona a dizer que não apoia mais austeridade (e não é que João Galamba diz a mesma coisa...?). Convinha que pensasse duas vezes. Porque quem tem dinheiro para emprestar não se compadece com tacticismos partidários e pode obrigá-lo a dar o dito por não dito. Ou a ir para o Governo...
É fácil dizer que a economia não aguenta mais austeridade. Mas convém explicar o que significa adiar o ajustamento: aumentar a dívida (pois se adiamos o corte no défice...). Mas para aumentar dívida é preciso que haja quem nos queira emprestar mais dinheiro. Há...? Seguro e Galamba que respondam.
Ninguém de bom senso defende mais austeridade à bruta e às cegas; e ninguém com dois dedos de testa defende que a austeridade é um fim em si mesmo. Por causa do risco de espiral recessiva. Mas todos sabemos que há ainda espaço para cortar despesa (não para subir impostos). E era por aqui que Seguro devia começar: admitir que há espaço para cortar despesa, antes de pedir "batatinhas" à Troika. Para eles não ficarem a pensar que nos portamos como se fôssemos donos do dinheiro... que não é nosso.
camilolourenco@gmail.com
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