Nuclear? Azar…!
No debate da TVI24 sobre segurança nuclear, às tantas Carlos Pimenta põe o dedo na ferida: a Tepco, que opera a central de Fukushima, tem um longo historial de mentiras, multas e desrespeito pelo regulador japonês.
É esta a qualidade dos argumentos de quem defende o nuclear em Portugal? Como se vê, os riscos não são negligenciáveis. E desta vez não foi mão humana, como em Chernobyll... Foi a Natureza. A mesma que colocou Portugal em zona de risco sísmico. Tal como Itália (lembram-se da devastação de Aquila?) e Turquia, países que também querem construir centrais: a Turquia teve um tremor de terra a cada 17 anos dos últimos dois milénios!
Bem podem os pró-nuclear dizer que desastres com barragens ceifaram mais vidas que desastres nucleares. Mas há no mundo muito mais barragens que centrais nucleares (esperem até chineses e indianos inaugurarem os 218 reactores que vão construir até 2020; 25 deles quase prontos…). É como se alguém dissesse que nos acidentes automóveis em Portugal menos de 1% dos mortos são ucranianos. Pudera: são uma minoria… Além de que uma torrente de água dissipa-se em poucas dezenas de km. Uma nuvem radioactiva faz estragos a milhares e atinge países que se recusaram a optar pelo nuclear (fora os problemas de Saúde, que se prolongam por gerações).
O nuclear deve ser posto de lado? Não. Mas convém pesar bem todos os prós e contras. E com argumentos menos rasteiros.
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