O Observatório dos ODS entra numa nova fase
O desafio agora já não é a sensibilização, mas sim a capacidade de integrar a sustentabilidade de forma mais profunda na estratégia empresarial e acelerar a implementação nos anos que antecedem 2030.
O Observatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nas empresas portuguesas entra agora numa nova fase. Após quatro anos de investigação, envolvimento e colaboração com o setor empresarial português, o Observatório inicia o seu segundo ciclo, reforçando o compromisso de apoiar as empresas na transformação das ambições de sustentabilidade em ação concreta.
Este novo ciclo de quatro anos surge num momento decisivo para o futuro da Agenda 2030. Embora a sustentabilidade esteja cada vez mais integrada nas discussões empresariais, o desafio que hoje se coloca às organizações já não é a sensibilização, mas sim a integração e a aceleração. O "gap" entre compromissos e implementação continua a ser significativo, tanto a nível global como nacional. Neste contexto, o papel das empresas torna-se ainda mais crítico.
O segundo ciclo do Observatório irá centrar-se em três grandes prioridades.
Em primeiro lugar, apoiar as empresas na implementação operacional dos ODS, ajudando as organizações a transformar compromissos em progresso mensurável ao longo dos próximos quatro anos. O objetivo não é apenas discutir sustentabilidade, mas acelerar a concretização de metas relevantes antes de 2030.
Em segundo lugar, promover a reflexão estratégica sobre a Agenda de Desenvolvimento Pós-2030. À medida que se intensificam as discussões sobre o futuro da governação global da sustentabilidade, torna-se essencial que o setor privado participe ativamente na construção de uma nova Agenda que seja simultaneamente ambiciosa e aplicável do ponto de vista empresarial. Neste contexto, o Observatório pretende contribuir para levar a voz e a experiência do tecido empresarial português para as discussões internacionais, incluindo os debates nas Nações Unidas sobre a Agenda Pós-2030.
Em terceiro lugar, contribuir para o avanço dos ODS em Portugal através de uma colaboração mais forte entre os setores público e privado. Muitos dos desafios de sustentabilidade não podem ser resolvidos por um único ator. A próxima fase da implementação exigirá mais parcerias, maior coordenação e um alinhamento mais forte entre políticas públicas e ação empresarial.
Para concretizar estes objetivos, o Observatório irá reforçar a recolha de dados e a análise longitudinal, um dos principais fatores diferenciadores do projeto desde a sua criação. O segundo ciclo manterá a amostra de empresas participantes no primeiro ciclo, convidando simultaneamente novas organizações que passaram a integrar o grupo das maiores empresas a operar em Portugal. Será também introduzido um novo questionário, mais curto e acessível, concebido não apenas para facilitar a participação, mas também para funcionar como ferramenta de autodiagnóstico do nível de implementação dos ODS nas empresas. O envolvimento contínuo das Grandes Empresas e das PME continuará a ser essencial para o sucesso e impacto de longo prazo do projeto.
Paralelamente, o Observatório irá reforçar a produção de conhecimento através de estudos setoriais, análises comparativas internacionais e publicações sobre temas emergentes, incluindo a Agenda Pós-2030. As iniciativas de capacitação, "workshops", "webinars" e eventos colaborativos continuarão a desempenhar um papel central na promoção da partilha de conhecimento e da ação prática entre diferentes "stakeholders".
O primeiro ciclo demonstrou que as empresas portuguesas estão cada vez mais envolvidas com os ODS. O desafio agora não é a sensibilização, mas sim a capacidade de integrar a sustentabilidade de forma mais profunda na estratégia empresarial e acelerar a implementação nos anos que antecedem 2030.
Num momento em que apenas uma pequena parte das metas dos ODS se encontra globalmente no caminho certo, este segundo ciclo pretende consolidar o papel do Observatório como plataforma de conhecimento, colaboração e ação, contribuindo para uma participação mais ativa e informada das empresas na transição para um modelo de desenvolvimento mais sustentável e competitivo.
Caso tenha interesse em contribuir para esta nova fase do Observatório, teremos todo o gosto em contar consigo (crbl.clsbe@ucp.pt).
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