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Zhang Jun - Deão da Faculdade de Economia da Universidade de Fudan e diretor do China Center for Economic Studies, um think tank com sede em Xangai.
12 de Janeiro de 2015 às 15:48

O segredo da China para o crescimento

Muitas pessoas estão profundamente pessimistas acerca das perspectivas de crescimento da economia chinesa, devido ao aparecimento de enorme dívida, investimento excessivo, excesso de capacidade e as conhecidas como "cidades fantasma", desde a crise financeira mundial de 2008. Mas estes problemas não são novos. Têm, sob várias formas, afectado a economia chinesa desde 1978 e eram visíveis em outras economias da Ásia do Este com elevados desempenhos – Taiwan, Coreia do Sul e até mesmo o Japão –, durante períodos de rápido crescimento.

Contudo, nos 35 anos desde que Deng Xiaoping iniciou o seu programa de "reforma e abertura", a China registou um crescimento médio anual de 9,7%. E foram precisos apenas 40 anos para a Coreia do Sul e o Taiwan concluírem a transição de estatuto de rendimentos baixos para elevados.

Como é que estas economias conseguiram crescer tão depressa durante tanto tempo e superar os problemas sérios que enfrentaram ao longo do percurso? A resposta é simples: resiliência.

O desenvolvimento económico é um processo complexo, repleto de desafios e riscos, sucessos e fracassos, choques externos e volatilidade. E os efeitos adversos – tais como um crescente rácio de dívida face ao PIB e capacidade excedentária – são inevitáveis.

Se um país falha em responder adequadamente a novos desafios à medida que crescem, o crescimento económico e o desenvolvimento estagnam. Muitos países na Améria Latina e no Ásia do Sul, por exemplo, ficaram presos na "armadilha da classe média", porque não conseguiram ajustar os seus modelos de crescimento em tempo útil.

As economias da Ásia do Este, pelo contrário, ajustaram consistentemente as suas estratégias de crescimento e comprometeram-se em contínuas reformas institucionais. O objectivo não era atacar os problemas que enfrentaram directamente, mas sim induzir novas e mais eficientes actividades que possam ajudar a converter a dívida em activos e a maximizar o uso da capacidade da economia.

Neste sentido, as economias da Ásia do Este têm adoptado o processo de "criatividade destrutiva", descrito pelo economista austríaco Joseph Schumpeter, no qual a estrutura económica é continuamente revolucionada por dentro. Adicionalmente, ao implementarem reformas elementares que facilitem – e até mesmo encorajem – a substituição das antigas e ineficientes fontes de crescimento com novas e mais dinâmicas, essas economias aceleraram este processo.

Por exemplo, as reformas da China para o aumento da produtividade agrícola nos anos 1980 foram, em parte, impulsionadas pelo crescimento do sector não-agrícola, como resultado das políticas que se destinavam a estimular o comércio local. Do mesmo modo, nos anos 1990, a China respondeu ao acumular de dívidas incobráveis e os projectos de construção inacabados – o resultado de empresas estatais com prejuízos crónicos e do excesso de investimento imobiliário, respectivamente –, implementando reformas institucionais que estimulavam o crescimento em sectores mais dinâmicos, compensando, assim, a diminuição do retorno das empresas estatais.

A resiliência tem, consequentemente, caracterizado a interação entre o governo e os mercados, desde a introdução das reformas de Deng. De facto, segundo o último economista Gustav Ranis, a interactividade dinâmica das instituições políticas e de mercado foi a chave para o sucesso das economias da Ásia de Este. Por exemplo, a descentralização na China, impulsionada pela procura das instituições locais por uma maior autonomia, tem ajudado a fomentar a competição regional e a sustentar um ambiente económico cada vez mais orientado para o mercado. 

Esta dinâmica interactiva é também reflectida na formação das políticas industriais. Na China, embora os clusters de pequenos produtores vibrantes estarem a florescer, os responsáveis têm feito relativamente pouco para promover o desenvolvimento e a melhoria da indústria. Isto deixa às instituições do mercado a responsabilidade de guiarem o processo, assegurando que desempenham um papel importante na expansão dos sectores industriais. 

Outra fonte de resiliência na Ásia do Este são os governos locais. Para começar, são responsáveis pelo gasto de capitais públicos, levando à melhoria das infraestruturas físicas da China e impulsionando retornos razoáveis para os investidores privados. Isto dá ímpeto ao objectivo de ajudar os negócios locais, particularmente as pequenas e médias empresas inovadoras, a crescer e prosperar. Para este fim, os governos locais estão também a ajudar os empreendedores a conseguir acesso às cadeias globais de produção. As províncias de Zhejiang e Guangdong têm sido particularmente bem-sucedidas neste esforço – e, surpreendentemente, estão entre as economias regionais chinesas mais robustas.

Finalmente, os governos locais têm demonstrado a vontade de apoiar a inovação institucional. Isto permite que a flexibilidade necessária responda aos desafios estruturais ao nível local, prevenindo, assim, que bloqueiem o crescimento.

Após três anos de abrandamento do crescimento e aumento da dívida, a China volta a encontrar-se numa encruzilhada. Felizmente, parece estar a escolher o caminho da flexibilidade e do ajustamento, ao mesmo tempo que persegue um ambicioso plano de reformas que, espera-se, permitirá aproxima-la – e talvez alcançar – o limiar de rendimentos elevados.

Zhang Jun é Professor de Economia e Director do China Center for Economic Studies na Fudan University, em Xangai.

Direitos de Autor: Project Syndicate, 2015.

www.project-syndicate.org

Tradução: André Tanque Jesus 

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