Celso  Filipe
Celso Filipe 03 de maio de 2017 às 00:01

O diabo está no "rating"

problema não é mudar de opinião, mas sim emitir opiniões destemperadas que colocam quem as produz à mercê dos supostos alvos. Costa, que mandou as agências de "rating" para o inferno, está agora condenado a fazer um pacto com o diabo e a submeter-se às suas regras.
A 21 de Abril deste ano, após a DBRS ter mantido o "rating "de Portugal e de as restantes agências de notação financeira, Moody’s, Fitch e Standard & Poors, persistirem em manter a dívida do país na categoria "lixo", o primeiro-ministro, António Costa, comentou assim a situação: "Estou convencido de que, este ano, com a conclusão do procedimento por défice excessivo, viraremos a página e também alteraremos a forma como as agências de ‘rating’ têm olhado para Portugal."

A grande novidade nesta frase é que ela revela uma mudança de opinião de António Costa em relação às agências de "rating". Em Agosto de 2015, o então líder do PS esteve numa Redacção Aberta do Negócios e não se poupou a críticas, classificando as mesmas como "lixo" e justificando assim o facto de ter rescindido contrato com estas enquanto presidente da Câmara de Lisboa. A resposta foi longa, mas merece ser reproduzida na íntegra.


"A melhor demonstração de que são lixo é que, enquanto a CML foi aumentando a sua dívida, elas deram sempre boas notas. Depois quando a dívida explodiu, a CML caiu e houve eleições antecipadas e nós quisemos regularizar a situação económica, as mesmas agências de ‘rating’ quiseram rever o ‘rating’ e afirmaram ‘isto afinal está muito mau’. Nesse ponto eu disse ‘vão rever o ‘rating’ para vossa casa que eu trato de pagar a dívida’. E assim foi. Felizmente, fiquei esclarecido sobre as agências de ‘rating’. Já demonstraram não ser minimamente credíveis e fiáveis, contribuíram muito gravemente para o endividamento generalizado do Estado, das famílias, das empresas, e não deram nenhum contributo sério até agora para uma gestão mais regulada no mercado de capitais. A minha visão sobre essas instituições é péssima e acho mesmo que com esta crise uma das coisas que é preciso é pôr ordem nessa coisa dos ‘ratings’", disse Costa.

Dois anos volvidos, como não conseguiu "pôr ordem nessa coisa", António Costa pede às agências de notação financeira que mudem a sua forma de olhar para Portugal. Ou seja, estas agências deixaram de ser "lixo" e assumem-se, na perspectiva do primeiro-ministro, como decisivas para o país, tanto do ponto de vista financeiro, como, mais importante ainda, ao nível da credibilização das políticas adoptadas por este Governo.

O problema não é mudar de opinião, mas sim emitir opiniões destemperadas que colocam quem as produz à mercê dos supostos alvos. Costa, que mandou as agências de "rating" para o inferno, está agora condenado a fazer um pacto com o diabo e a submeter-se às suas regras. 


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