O silêncio fala por si
França foi uma precursora na aplicação prática do conceito de "inteligência económica". Para o Governo francês, na década de 80, este tipo de avaliação resultava da combinação de três interesses: o do Estado, o das empresas e o dos cidadãos. Caso estes fossem conflituantes, a primazia era dada ao Estado, em nome do interesse nacional. Foi a partir daqui que o argumento do interesse nacional entrou no discurso de políticos, de empresários e da opinião publicada. Daqui até ao desvirtuamento da sua essência foi um pequeno passo.
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Em Portugal, o conceito de interesse nacional foi apropriado pelas empresas e a "inteligência económica" do Estado tornou-se dependente delas. Ou seja, em vez de serem as empresas a defenderem o Estado-nação, elas passam a exigir ao Estado que suportasse as suas pretensões, com o argumento de que o país ganha com elas. Apregoaram (e ainda o fazem) o liberalismo, mas quando acossados pela concorrência foram sempre pedindo a protecção do Estado, que o foi fazendo amiúde, sem acautelar os interesses do país.
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