Quem dá e tira vai para o Inferno
Lembra-se do ditado - quem dá e tira vai para o Inferno. Era (e provavelmente ainda é) muito utilizado durante o período da pré-adolescência.
Lembra-se do ditado - quem dá e tira vai para o Inferno. Era (e provavelmente ainda é) muito utilizado durante o período da pré-adolescência.
- Deste-me os berlindes e agora estás-me a tirá-los;
ou,
- Deste-me os cromos e agora estás a pedi- -los de volta. Isso não vale!... Vais para o Inferno.
A crise que se vive radica neste aforismo. Deu-se uma vida de relativo desafogo financeiro, vendeu-se a ideia de que a Europa era um porta-aviões imune ao naufrágio e que este caminho, irreversível, conduziria a uma sociedade cada ver mais opulenta e ociosa.
É isto que, duplamente, se está a tirar aos cidadãos: uma realidade desafogada e a perspectiva de um futuro tranquilo.
Para as empresas, pior ainda. Se fecharem neste presente, de nada serve fazerem planos para o futuro.
Claro que, neste fase, a magna pergunta é: quem é que deu e agora tirou? Os bancos, as empresas, o Estado? Ou, todos eles e mais alguns, num involuntário cambão? Sem uma verdade absoluta, ficam as certezas relativas. Inúteis, perante os factos, mas não para o que aí vem.
Os pessimistas dirão que o pior ainda está para vir. E que este é o fim do mundo tal como
o conhecemos.
Os optimistas argumentarão que esta crise é transitória como todas as outras, apenas ligeiramente mais grave e prolongada.
Os sensatos constarão, tão somente, que é preciso reter a lição de que, depender em excesso dos outros (para as empresas isto tem a ver com o dinheiro em caixa e o rácio endividamento/capitais próprios), é meio caminho andado para o Inferno.
Este inferno exige uma refundação do papel do Estado na economia e uma reavaliação individual da prioridades de cada um. É uma tarefa hercúlea. Mas o futuro exigia-a.
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