Terá Macron o engenho suficiente?

A vitória de Emmanuel Macron na primeira volta das presidenciais francesas foi um suspiro de alívio, mas não impediu que europeístas e liberais ficassem com um amargo de boca.
Jornal de Negócios
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André Veríssimo 27 de abril de 2017 às 09:49


O sistema de duas voltas deverá impedir que Le Pen chegue ao poder, mas é fraco consolo para o facto de a extrema-direita e o eurocepticismo terem ganho amplo terreno. Quanto, ao certo, saberemos no dia 7 de Maio e nas legislativas de Junho.
"De todos os líderes europeus de extrema-direita, Marine Le Pen foi aquela que, sem qualquer dúvida, melhor soube transportar para o 'mainstream' um partido populista de extrema-direita. Com quase oito milhões de votos (21,5%), Le Pen provou que a camuflagem que levou a cabo sobre as ideias do seu pai foi suficiente para atrair uma percentagem considerável do eleitorado francês", escreve no Público João Albuquerque, presidente da Young European Socialists. De Macron, diz que "realizou uma campanha assente na indefinição ideológica, afirmando-se como sucessor de De Gaulle, capitalizando esquerda e direita".
Não é a indefinição ideológica uma forma de dissimulação? Maria de Lurdes Rodrigues desconfia, no DN, da estratégia: "Ir buscar à direita o melhor da direita e à esquerda o melhor da esquerda, por mais pergaminhos políticos que a frase tenha, pode ter como resultado não ter o apoio nem dos eleitores de direita nem dos eleitores da esquerda. (...) Não partilho a ideia de que a regeneração da democracia e dos regimes democráticos se fará sem os partidos tradicionais."
A vitória de Macron nada garante. Viriato Soromenho-Marques imagina no DN um Gulliver que voltasse à Europa liliputiana. "Ele não saberia dizer, tal como nenhum de nós, se Emmanuel Macron, o próximo Presidente francês, terá engenho e arte para impedir a única coisa gigantesca neste triste e imenso drama: o preço em sofrimento que teríamos de pagar se a Europa do futuro, finalmente, tombasse até ao patamar da irrelevância dos seus recentes e actuais regedores."

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