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Portugal voltou a produzir mais energia a partir do gás natural em 2025

Procura de eletricidade cresceu no ano passado, mas o ritmo lento das renováveis levou a mais emissões de CO2, alerta a ZERO.

09 de Janeiro de 2026 às 20:13
luz, eletricidade
luz, eletricidade Miguel Baltazar
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O consumo de eletricidade em Portugal atingiu em 2025 um novo máximo histórico, mas o aumento da procura não foi acompanhado por um crescimento equivalente da produção renovável. O resultado, segundo a associação ambientalista ZERO, foi um maior recurso às centrais a gás natural e, com isso, um agravamento das emissões de dióxido de carbono.

De acordo com os dados, o consumo elétrico totalizou 53,1 TWh, mais 3,2% do que em 2024, enquanto a produção renovável também alcançou um valor recorde absoluto, com 37 TWh. “Na prática, as renováveis estagnaram, enquanto o consumo de energia elétrica continuou a aumentar”, sublinha a ZERO, acrescentando que a quota de eletricidade renovável no consumo desceu de cerca de 70% para 68%.

A organização estima um acréscimo de cerca de um milhão de toneladas de CO2 na produção de eletricidade face ao ano anterior, um cenário que considera “duplamente preocupante”, uma vez que a redução das emissões do setor elétrico tinha sido, nos últimos anos, o principal motor do decréscimo das emissões totais do país.

O desequilíbrio foi agravado após o apagão de 28 de abril, altura em que, por razões de segurança de abastecimento, a produção a partir de gás natural aumentou de forma significativa. Em 2025, as centrais a gás produziram 7,9 TWh, mais 54% do que no ano anterior, evidenciando, segundo a ZERO, “a vulnerabilidade do sistema elétrico nacional sempre que as renováveis não conseguem responder ao crescimento da procura ou a situações excecionais”.

No centro das preocupações está o abrandamento do solar fotovoltaico, com a associação a apontar entraves administrativos e económicos como fatores determinantes. “Verificou-se uma clara diminuição do progresso da instalação de potência fotovoltaica centralizada e descentralizada”, refere o comunicado, a par da “relativa estagnação” no reequipamento dos parques eólicos. Apesar de existirem muitos projetos licenciados, muitos não avançam porque “a remuneração da produção fotovoltaica (…) é demasiado baixa”, sobretudo na ausência de armazenamento e face às limitações da rede ibérica para exportar os excedentes.

A ZERO defende como “absolutamente decisiva” uma estratégia nacional para o armazenamento de energia, lembrando a meta de 2 GW de baterias prevista no Plano Nacional de Energia e Clima. Só assim, sustenta, será possível viabilizar o crescimento das renováveis e manter a trajetória de redução das emissões, num contexto de eletrificação crescente.

Portugal já conta com mais de 200 mil veículos elétricos e registou quedas significativas no consumo de gás natural fóssil nos setores industrial, residencial e de serviços. Ainda assim, a ZERO alerta que “a eletrificação só contribui plenamente para a descarbonização se for acompanhada por uma expansão muito mais rápida da produção renovável”, bem como pelo reforço das redes, das interligações com Espanha, dos mecanismos de flexibilidade e do armazenamento. “Não basta eletrificar a economia”, avisam os ambientalistas.

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