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Projeto científico quer colocar a natureza no centro do planeamento urbano

Investigação financiada pela FCT vai mapear ligações emocionais à natureza e levar comunidades a cocriar soluções que, garante a equipa, podem influenciar as políticas públicas.

16:05
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A Universidade de Coimbra (UC), através do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), está a liderar o RESIGNIFY, um projeto que pretende mudar a forma como a natureza é entendida e integrada nas cidades. O objetivo é que não seja vista apenas como como “cenário”, mas como parte ativa do ecossistema urbano.

A ambição é desafiar a visão tradicional centrada apenas no humano e propor um planeamento urbano que inclua ciência, cultura, emoções e participação pública. “Nesta investigação procuramos reconhecer os significados atribuídos à natureza urbana através da sua compreensão e das ligações emocionais das populações aos elementos naturais”, explica Fátima Alves, investigadora responsável do projeto e professora da Universidade Aberta.

A responsável sublinha que a equipa pretende estimular a “cocriação de soluções baseadas nos imaginários e narrativas das comunidades” e pelo desenvolvimento de “modelos regenerativos” que juntem “investigação científica, vivências quotidianas, criatividade e experimentação prática”.

Para lá chegar, o RESIGNIFY aposta em metodologias que cruzam várias linguagens e disciplinas, incluindo a revisão científica, análise espacial com mapeamento, e um trabalho de proximidade com as comunidades, através de inquéritos, workshops e atividades criativas. 

“Num contexto em que as cidades enfrentam desafios crescentes e cumulativos - como alterações climáticas, perda de biodiversidade, desigualdade no acesso à natureza e crescente afastamento emocional dos ecossistemas -, o RESIGNIFY surge como uma resposta essencial”, considera Diogo Guedes Vidal, investigador do CFE/FCTUC e professor da Universidade Aberta.

Além da componente de investigação, o projeto quer deixar ferramentas com impacto fora da academia, nomeadamente a criação de um Curso Online Aberto Massivo (MOOC) internacional, desenvolvido em colaboração com o LE@D – Laboratório de Educação a Distância e E-learning, dedicado ao planeamento regenerativo e ao envolvimento público em processos urbanos.

A promessa, defendem os investigadores, é que este conhecimento ajude a orientar decisões concretas com reflexo nas políticas públicas. “Trata-se de uma investigação pioneira, que integra emoções e narrativas no planeamento urbano regenerativo, ampliando a participação pública, valorizando saberes culturais e locais”, afirma Rosário Rosa, destacando o potencial para informar a atuação municipal “ao nível arquitetónico, social e urbanístico”, com efeitos na “saúde e o bem-estar das populações”.

Financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, o projeto decorre até 2028 e reúne uma equipa multidisciplinar que junta investigadores da UC e da Universidade Aberta, do ISCSP-Universidade de Lisboa e da Universidade Fernando Pessoa.

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