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UE destaca setor das algas como o “mais notório” da bioeconomia azul

Novo relatório aponta as algas como um setor com grandes potencialidades de crescimento económico ao mesmo tempo que contribui para combater as alterações climáticas.

Sónia Santos Dias 16 de Janeiro de 2023 às 09:11
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A agricultura e a colheita de algas marinhas são ainda muito pequenas na Europa, mas têm uma grande potencialidade de crescimento, na medida em que 36% das empresas relacionadas com esta indústria estão sedeadas no espaço europeu. Porém, muitas são start-ups que ainda não estão operacionais comercialmente, revela o novo Relatório da Bioeconomia Azul da UE, publicado a cada dois anos pelo Observatório do Mercado Europeu dos Produtos da Pesca e da Aquacultura (EUMOFA).

A edição de 2022 do relatório, agora divulgada, coloca mesmo as algas no centro da bioeconomia azul, reconhecendo-o como o "mais notório da bioeconomia azul" da União Europeia (UE).

Para além da sua utilização na alimentação, cosmética, biomateriais ou energia, o relatório sublinha o "papel significativo" dos ecossistemas de algas marinhas no ciclo do carbono marinho, na medida em que atuam como um sequestrador de CO2. Destaca, por isso, a necessidade de desenhar ações para integrar as algas marinhas nas políticas climáticas, que incluem a conservação, restauração e agricultura de algas.

Porém, em comunicado, a Comissão Europeia destaca que é necessário colmatar as lacunas de conhecimento que existem sobre esta matéria. "Isto inclui a avaliação dos ecossistemas de algas marinhas selvagens existentes na Europa, a construção de um melhor conhecimento da disponibilidade de nutrientes e eutrofização nas costas e bacias da UE e a avaliação da pegada de carbono dos produtos à base de algas marinhas", refere a CE.

A UE acolhe ecossistemas de algas marinhas selvagens significativos, mas representa menos de 0,25% da produção global de algas marinhas liderada pelo homem. Para além de ser de pequena escala, "a indústria europeia de algas marinhas é regionalmente desequilibrada", afere o relatório.

A crescente procura de algas marinhas não pode ser satisfeita pelos produtores devido a uma variedade de fatores, nomeadamente falta de transparência dos dados, ciclos de produção imprevisíveis, cadeias de fornecimento ineficientes e quadros regulamentares complexos. "Esta situação leva a que investidores e empresas avessos ao risco sejam desincentivados. Os desafios que a indústria europeia de algas marinhas enfrenta não são orientados pela tecnologia, mas mais relacionados com questões de governação e de mercado. A inversão desta tendência dependerá do acesso estável à matéria-prima, do desenvolvimento de produtos de valor acrescentado e da transferência de conhecimentos entre regiões onde a produção está bem desenvolvida e aquelas que desejam desenvolver a indústria", refere a CE.

 

O relatório oferece uma visão geral dos últimos desenvolvimentos dos sistemas de cultivo de micro e macroalgas na UE e no mundo. Tem um enfoque especial no sargaço (uma macroalga), e mostra como as algas podem também transformar as economias regionais. No caso do sargaço, é reconhecida a proliferação, em toda a região atlântica, de projetos relacionados com esta alga que flua em grandes massas, "mas, por enquanto, não existe um verdadeiro mercado para o sargaço. A maioria das soluções que procuram valorizar o sargaço ainda não estão comercialmente maduras", reconhece a CE.

A análise também refere que o panorama regulamentar para licenças de exploração de algas marinhas "é descoordenado, contém muitos agentes reguladores a nível nacional e local e, por vezes, representa custos elevados para as pequenas empresas que procuram cultivar no mar".

Recorde-se que a CE adotou, em novembro passado, uma iniciativa pioneira para explorar o potencial das algas enquanto recurso renovável na UE. Foram propostas 23 ações destinadas a criar condições para tornar esta indústria um setor robusto, sustentável e regenerativo, capaz de satisfazer a crescente procura do mercado da UE.

 

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