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Colaboradores felizes produzem mais

Conciliar produtividade e saúde é o novo mantra das empresas que querem reter talento e estar em consonância com a Agenda 2030 das Nações Unidas.

Sónia Santos Dias 17 de Novembro de 2022 às 19:30
Colaboradores felizes produzem mais
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Foto em cima: O debate "Emprego ou projeto? Bem-estar nas empresas" teve a moderação de Helena Garrido e contou com a participação presencial de Joana Rodrigues, Marisia Giorgi e Marta Neves. Ana Rita Martins e Margarida Cardoso participaram online.


As organizações estão a considerar cada vez mais a felicidade dos seus colaboradores como um ativo essencial para o sucesso do negócio. Não só é necessário implementar os critérios sociais, ambientais e de governação impostos por nova regulamentação, como também é fulcral para atrair colaboradores que, cada vez mais, procuram empresas com propósito e condições propícias ao bem-estar. "Investir na saúde e bem-estar retém talento e melhora a performance", começou por sublinhar Ana Rita Martins, arquiteta e responsável de sustentabilidade na Woodalls, em Londres. E tudo começa no próprio espaço onde se trabalha, pois este tem a capacidade de influenciar o estado de espírito de quem lá trabalha.

"Os edifícios também ajudam a criar felicidade", por isso, "temos de construir edifícios mais amigos da saúde e da felicidade", explicou. E tudo entra na equação: qualidade do ar e da água, conforto técnico e acústico, a luz e as vistas, ter plantas por perto, etc. A arquiteta desenvolve projetos de design baseados nos critérios ESG (ambiental social, governação, sigla em inglês) que tenham "o menor impacto ambiental possível e que contribuam para a comunidade e o bem-estar dos trabalhadores", explicou.

O espaço tem de tal forma impacto que, segundo a arquiteta, "uma boa ventilação pode melhorar quase 50% do nível de absentismo". Ana Rita Martins salientou também que "o que não se mede não se controla", sugerindo, por isso, aplicar certificações que confirmem os critérios ambientais e sociais das empresas. Também Joana Rodrigues, diretora de Arquitetura na Savills Portugal, referiu que os espaços influenciam a saúde e a felicidade, sublinhando que a pandemia veio evidenciar o poder de os espaços criarem bem ou mal-estar. No painel de debate "Emprego ou projeto - bem-estar nas empresas", Joana Rodrigues salientou que "as empresas finalmente perceberam que devem ter os seus recursos humanos nas melhores condições físicas e sociais". Posto isto e com a alteração do modelo de trabalho que fez sobressair o teletrabalho e o modelo híbrido, as empresas veem-se agora a braços com a necessidade de atrair os seus colaboradores para os escritórios, pelo que "os espaços devem ser adaptados para as pessoas se sentirem bem e regressarem ao local de trabalho". Na realidade, prosseguiu, "as empresas estão mais abertas a fazer estas alterações nos escritórios, não só porque as pessoas querem, mas também porque as multinacionais já o estão a fazer". A questão do espaço é, portanto, fulcral nesta nova realidade e quem não se adaptar corre o risco de perder talento.

Na Philip Morris International, estas alterações já foram feitas. "Durante a pandemia, remodelámos todo o escritório para estar mais atualizado com as novas formas de trabalhar e para funcionar como uma extensão da casa", contou Margarida Cardoso, responsável de Pessoas e Cultura. "Adotámos o trabalho híbrido e achamos que a vinda ao escritório tem de ter significado. Os espaços agora são mais colaborativos e antes eram mais individuais", acrescentou. Porém, referiu também que o bem-estar dos trabalhadores é algo muito alargado, pois pode significar coisas diferentes para trabalhadores diferentes.

Como diretora de Recursos Humanos do Pingo Doce, Marisia Giorgi tem estas preocupações sempre presentes. Para lá das prateleiras dos supermercados, "na área privada dos colaboradores, o espaço é pensado na perspetiva do bem-estar", referiu. O layout, a altura das cadeiras ou o espaço de relaxamento são pensados nesta ótica. "Tratamos os espaços sociais com o mesmo rigor dos espaços públicos, referiu a diretora de RH. Porém, considera que o maior desafio de agora se prende com o apoio à saúde mental dos colaboradores e da própria família.

Para Marta Neves, administradora executiva da EGF, a pandemia também trouxe lições muito valiosas. Por atuarem na área dos resíduos, o medo sentido pelos colaboradores foi uma emoção muito presente com a qual tiveram de lidar. "Fizemos webinares para contornar a saúde mental, as pessoas sentiam necessidade de falar", partilhou a responsável. Posto isto, corroborou que "um trabalhador feliz é muito mais produtivo e tem muito sentimento de pertença". Sobretudo nas gerações mais novas, nota um sentido de serviço público "muito presente e um sentido de propósito".

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